Uma Nova Mobilidade para a Madeira: O Caminho para o Futuro!
A mobilidade na Madeira necessita de um Plano de Estudo denso e multidisciplinar
A Madeira carece de uma reforma em todas as dimensões da área da Mobilidade, seja a nível aéreo, muitas vezes abordada, seja de âmbito terrestre ou marítimo, menos falada. Neste artigo de opinião, não abordo meros sintomas ou problemas, mas soluções concretas para uma Nova Mobilidade para a Madeira.
O congestionamento nas vias rápidas da Madeira tem aumentado de forma preocupante, muito influenciado pelo “boom” de alugueres de carros a turistas. Sem alternativas viáveis no transporte público, estes visitantes são obrigados a alugar viaturas, o que agrava a pressão sobre as vias rodoviárias. Isto resulta em tempos de deslocação mais longos, maior poluição e um impacto negativo na qualidade de vida dos residentes. Embora a rede SIGA tenha trazido algumas melhorias, os problemas essenciais persistem. As carreiras continuam ineficientes, com poucas ligações diretas entre concelhos, forçando os cidadãos a depender do transporte particular.
Uma solução que proponho é a criação de ligações diretas ou com curtos transbordos entre todos os concelhos da Madeira. Um residente do Porto Moniz deve poder deslocar-se a Machico de forma eficiente, tal como um residente de Santana deve ter uma ligação prática para a Ponta do Sol. A criação de bolsas de estacionamento em pontos estratégicos, como o Parque Industrial da Cancela e Câmara de Lobos, deve também ser uma prioridade. Estas infraestruturas permitiriam que os veículos fossem estacionados fora do centro do Funchal, com serviços de “shuttle” nas horas de maior tráfego, aliviando a pressão sobre as vias de acesso e reduzindo os níveis de poluição.
Outro ponto fundamental é o acesso ao Hospital Central da Madeira. A falta de carreiras diretas ou de transbordos eficientes compromete o acesso equitativo aos cuidados de saúde, especialmente para os cidadãos mais vulneráveis. Um sistema de transporte público eficaz, que assegure uma ligação rápida ao hospital, é essencial para garantir um acesso digno e justo aos cuidados de saúde.
No que toca à mobilidade aérea, o modelo atual continua a ser uma preocupação. O sistema de subsídio de mobilidade, que obriga os residentes a avançar o valor total das viagens para depois aguardar o reembolso, é burocrático e penalizador. Defendo a criação de um modelo mais simples, em que os madeirenses e portossantenses paguem um valor fixo no momento da compra dos bilhetes. Esta medida, já existente no Programa Estudante Insular, poderia ser alargada, eliminando barreiras burocráticas e financeiras. Além disso, a questão dos “slots” no Aeroporto da Madeira, que embora atualmente não seja crítica, requer um Plano de Contingência para o futuro.
Relativamente à mobilidade marítima, é urgente restabelecer uma ligação estável entre a Madeira e o Continente. A ausência de um transporte marítimo regular prejudica o turismo e o abastecimento de mercadorias, afetando a economia local. A Madeira, com um dos portos de passageiros mais movimentados do país, deveria ter uma ligação marítima ao Continente. Defendo o lançamento de um novo Concurso Público Internacional para assegurar essa ligação, tanto para passageiros como para mercadorias, oferecendo uma alternativa viável ao transporte aéreo e garantindo preços mais competitivos.
A mobilidade na Madeira necessita de um Plano de Estudo denso e multidisciplinar, capaz de reformar a mobilidade na Região. Visão, Planeamento e Ambição, precisa-se!