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Herança pesada

Iniciamos hoje um novo ano que nos traz heranças muito pesadas do ano anterior.

Temos em curso várias guerras que influenciam muito as nossas vidas. No passado, achávamos que as guerras longínquas não nos afetavam porque a Madeira era um cantinho do céu. Hoje já não é assim, e somos afetados por tudo o que vai acontecendo no Planeta, como por exemplo as alterações climáticas. Já não existem cantinhos do céu.

Mas dá mais jeito continuar a agir como se isto não nos dissesse respeito. Então, mantém-se tudo igual no calendário e nem somos comedidos. Ostentamos padrões de “novos-ricos” que dão nas vistas, em tudo o que é feito. Às vezes parece que o mundo vai acabar já, e há que aproveitar tudo até à exaustão.

Numa Região com um índice de pobreza muito alto e uma precariedade laboral assustadora, o mais correto seria sermos comedidos. Vivermos a época natalícia com muita alegria, sim, mas de acordo com as possibilidades reais das famílias e, sobretudo, das finanças públicas, onde as dívidas estão a aumentar, e seremos todos nós que teremos que as pagar através dos nossos impostos.

O exagero nas iluminações, o mais de um milhão gasto no fogo que nem dura dez minutos, os eventos sobrepostos, as noites dos mercados que passaram de festas populares a arraiais… Todos estes poderiam ser momentos de encontro entre as populações, promovendo os artistas das diferentes localidades numa festa descentralizada mais popular.

Parece que na Madeira temos vergonha de assumir que somos uma Região que não tem os recursos de uma região rica. Dizem que é porque vivemos do turismo e tudo o que fazemos é para lhes agradar. Mas colocar os olhos apenas no turismo é muito perigoso, e já vimos as suas consequências nos anos da pandemia.

Diversificar. Investir mais no que pode ser produzido localmente. Valorizar as pessoas e não incentivar a concorrência, que dificulta o seu crescimento pessoal. Acabar com tudo o que seja competição entre os jovens, sobretudo nas escolas, e incentivar e dar valor à criatividade de todas as idades. Mais inovação e menos competição.

Precisamos de ser mais empáticos e não nos fecharmos em caixinhas em que cada pessoa puxa para o seu lado, sendo incapaz de ver que “juntos, somos mais fortes”. O governo tem que ser mais imparcial nos apoios que concede. Pagamos impostos para serem bem aplicados, independentemente das ideologias das pessoas que fazem um trabalho meritório e necessário para a comunidade. As exclusões são uma forma de discriminação que deve ser erradicada da governação da Região.

Por fim, um apelo. Por favor parem de promover as bebidas alcoólicas em todo o lado, sem controlo. Toda a gente pode beber à vontade, à frente de todos os que querem ver. Então é ver gente nova que não tem idade para ingerir bebidas espirituosas, ou gente muito mais velha, que também já devia ter juízo, a cair em situações graves, chegando, por vezes, ao coma alcoólico. Sejamos promotores de seres saudáveis e conscientes. Pôr em prática o discurso “politicamente correto” deveria ser um grande objetivo para este ano.

Das eleições falarei depois.