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Investigação do Vaticano sobre abusos sexuais partilhada com polícia australiana

Foto Shutterstock
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 O Vaticano entregou à polícia australiana as conclusões de uma investigação interna a um antigo bispo sobre alegações de abuso sexual de menores referindo que vai cooperar com os investigadores, disse hoje fonte da Igreja.

A Igreja Católica anunciou a entrega do seu relatório de investigação sobre o antigo bispo australiano Christopher Saunders três dias depois de a polícia da Austrália ter revelado publicamente que tinha pedido uma cópia do documento.

"A Igreja vai continuar a mostrar total transparência e cooperação com a polícia", disse hoje o bispo Michael Morrissey, em comunicado.

O bispo Morrissey substituiu Saunders na diocese de Broome em 2021.

"A Igreja encoraja todas as pessoas que tenham sofrido abusos ou que suspeitem de abusos na comunidade a apresentarem-se e a denunciá-los à polícia", acrescenta-se na mesma nota.

Atualmente com 73 anos, Sanders negou qualquer irregularidade e recusou-se a participar na investigação do Vaticano, que teve início no ano passado.

Christopher Sanders demitiu-se em 2021 do cargo de bispo de Broome, uma diocese do Outback, noroeste da Austrália (um território maior do que a França mas com uma população de apenas 50 mil habitantes), depois de as autoridades terem anunciado que tinham abandonado uma investigação sobre crime sexual.

As primeiras denúncias sobre os alegados abusos foram noticiadas pela imprensa australiana em 2020. 

O Vaticano confirmou esta semana que tinha concluído a investigação interna sobre Saunders.

Na segunda-feira, a comunicação social da Austrália indicou que relatório do Vaticano, com 200 páginas, concluiu que Saunders terá "provavelmente" agredido sexualmente quatro jovens e "terá aliciado" outros 67 jovens e homens, sobretudo da comunidade aborígene.

A Igreja recusa-se a fornecer publicamente pormenores sobre as alegações.

A polícia conduziu duas investigações sobre alegações contra Saunders entre 2018 e 2020 sendo que os procuradores concluíram, na altura, que não havia provas suficientes para apresentar queixas.

Após solicitar o relatório do Vaticano, a polícia admitiu na terça-feira que vai atuar se existirem dados novos. 

"Se surgirem mais informações, a polícia vai investigar", referiram as autoridades policiais australianas.

O bispo Morrissey disse que o relatório do Vaticano foi entregue ao comissário-adjunto do Departamento Ocidental da Polícia da Austrália, Allan Adams, mas não indicou a data em que forneceu o documento.

A igreja e a polícia "continuam em contacto permanente sobre o assunto", disse o bispo Morrissey.

Hoje, a polícia recusou-se a comentar o que tenciona fazer com o relatório.

Saunders, que continua a manter o título eclesiástico de bispo, é agora o clérigo mais antigo da Austrália conhecido por ter sido acusado de alegado abuso de menores, num escândalo que afetou a Igreja Católica em todo o mundo.

O Cardeal George Pell era o terceiro clérigo mais destacado na hierarquia do Vaticano quando foi condenado num tribunal australiano, em 2018, por ter abusado sexualmente de duas crianças de 13 anos, numa catedral de Melbourne, em 1996.

Pell passou 13 meses na prisão antes de as condenações terem sido anuladas durante o recurso judicial.

George Pell morreu no passado mês de janeiro em Roma, tendo mantido que estava inocente.

Saunders começou a trabalhar em Broome como diácono em 1975 e tornou-se bispo em 1996.