Regionais 2023 Madeira

GESBA “não é uma empresa. É uma ave de rapina”, acusa Élvio Sousa

Candidatura do JPP foi a Câmara de Lobos criticar “o modelo comunista para a agricultura” imposto pelo GR

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foto: Miguel Espada/ASPRESS

O JPP elegeu esta sexta-feira a Agricultura para voltar a criticar a política de gestão da banana e o “monopólio” da GESBA que empobrece os agricultores.

Liderados por Élvio Sousa, o secretário-geral e cabeça-de-lista do JPP, a acção de campanha foi a Câmara de Lobos, para junto do bananal que subsiste na zona do Ribeiro Real – sobranceiro ao futuro campo de futebol –, e na presença do ‘rosto’ da ABAMA - Associação de Produtores de Banana da Madeira, Antonino Abreu, reafirmar que o Partido sempre esteve do lado dos agricultores.

“Infelizmente podiam ter um rendimento muito superior se as políticas deste governo fossem acertadas”, começou por apontar, referindo-se aos cerca de 3 mil bananicultores que continuam ‘reféns’ da GESBA.

Depois de no início desta semana Élvio Sousa ter denunciado que há banana a apodrecer em cima dos poios, nalguns casos há dois meses, hoje o candidato reforçou o grande prejuízo que tal representa para o rendimento do agricultor, já de si penalizado por só estar a receber 35 cêntimos/kg pela banana extra quando há 15 anos recebia 60 cêntimos.

Para o JPP “só vendo para acreditar” a garantia entretanto dada pela GESBA que irá cobrir os prejuízos decorrentes da banana deixada na terra por incapacidade dos serviços em assegurar a recolha em tempo útil.

Élvio Sousa acusa a GESBA de “má gestão”, por não prever atempadamente o reforço de mão-de-obra, quando é sabido que esta é a época alta da produção de banana.

Mais uma razão para criticar a coligação de “sapatos de verniz, a vir para o terreno falar com os agricultores e ver de facto a pobreza e a falta de rendimento que está existir neste meio”.

Apelou ainda a Albuquerque a devolução dos 3.5 milhões gastos no ‘museu’ da banana no Lugar de Baixo, Ponta do Sol, por considerar que foi dinheiro retirado aos bananicultores.

Para o JPP “está nas mãos do governo” a solução, que diz passar por “reduzir os custos de funcionamento da GESBA” e “pagar melhor aos agricultores”. Sustenta que para valorizar o sector o kg de banana deveria ser pago a 1 euro, valor que considera “aceitável”.

Recordou as Contas de 2021 da GESBA para lembrar que “vendeu 18 milhões de banana” mas só “entregou aos produtores 6 milhões”. Os restantes 12 milhões foram gastos com o funcionamento da GESBA. Só em custos de representação, diz que o aumento no último ano foi de “quase 2000%”

“Isto não é uma empresa. Isto é uma ave de rapina. Isto é o sorvedouro de dinheiro do povo e dos rendimentos que não pode acontecer. Nenhum governo que se preze pode deixar uma empresa rapinar o rendimento dos produtores. Isso não pode acontecer”, considerou.

Acompanhado por uma dezena de militantes e candidatos, Élvio Sousa defende que se acabe “com a lei que impede que os bananicultores possam receber fundos comunitários” se venderem a banana fora da GESBA. “Lei proteccionista que serviu para ‘engordar’ a GESBA, para ficar com todo o dinheiro dos fundos comunitários”, acusa.

É contra este “fato encomendado” que ‘alimenta’ o “monopólio” da banana que sai em defensa dos agricultores ‘escravizados’, ao concluir que “pior que o monopólio privado é o monopólio público. Nós já estamos fartos de regimes comunistas”, atirou.

Para o JPP o Governo Regional está a “usar modelo comunista para a agricultura”.

E pior, “a GESBA está a meter gente de ‘bata branca’ que são tachistas e outros boys que vieram do PSD e do CDS, porque a GESBA é uma central de emprego, não é uma empresa da banana”, concluiu.