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Governo açoriano considera "disparate" acusações de controlo da comunicação social

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O presidente do governo açoriano classificou hoje como "disparate" as críticas de que o executivo pretende controlar a imprensa com o novo programa de apoio à comunicação social privada, que, realçou, foi construído com a participação dos jornalistas.

"Não tem outra qualificação que não o disparate. Trata-se de um disparate. Esta proposta é consensualizada também com o Sindicato dos Jornalistas e com muitos proprietários de órgãos de comunicação social. Foi uma construção de um projeto plural e com a participação dos próprios destinatários", afirmou José Manuel Bolieiro aos jornalistas.

O líder do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), que falava à margem da inauguração da variante ao Portal do Vento nas Sete Cidades, reagia às críticas ao programa Media+, que prevê uma compensação salarial aos jornalistas que consiste na "atribuição mensal de um apoio financeiro".

Segundo o projeto de decreto legislativo regional, a que a agência Lusa teve acesso na terça-feira, no caso de jornalistas contratados por tempo indeterminado nas "áreas da produção, edição e difusão de conteúdos informativos", é suportado 40% do respetivo salário.

Hoje, o líder do PS/Açores, Vasco Cordeiro, afirmou que o novo programa de incentivo à imprensa privada nos Açores é uma "grotesca, perversa e mal disfarçada tentativa do Governo Regional de controlar a comunicação social".

Em resposta, o presidente do Governo Regional realçou que a "verdadeira liberdade ética e deontológica dos profissionais da comunicação social está absolutamente assegurada nos Açores".

"Queremos valorizar, no apoio às empresas proprietárias de órgãos de comunicação social, essenciais à pluralidade de opinião e à independência, a autonomia da comunicação social privada nos Açores, com um apoio que também permita valorizar os trabalhadores", salientou.

José Manuel Bolieiro insistiu que o novo programa de apoio à imprensa privada foi "construído em diálogo e com participação de jornalistas e proprietários dos títulos de órgãos de comunicação social".

"Agora sim, respiramos verdadeira democracia e liberdade de opinião, com maior escrutínio que alguma vez houve até porque não se trata de um governo de maioria absoluta", declarou, aludindo ao anterior período de governação do PS na região.

O Media+, que ainda vai a Conselho de Governo, seguindo depois para o parlamento açoriano, prevê suportar até 40% dos salários dos jornalistas até 1.500 euros, comparticipar formações e projetos multimédia.