Artigos

Andamos muito entretidos

Há mais de vinte anos que a economia portuguesa não cresce. Isto que dizer há universitários que única realidade que conheceram ao longo da vida é a de um país estagnado, debatendo até à exaustão percentagens e números, que são massajados e moldados ao gosto do freguês, sempre com o intuito de ajudar a quem está no poder a lá ficar agarrado um pouco mais. A juntar a isto, vivemos o período mais longo de divergência com a Europa, fomos ultrapassados por países que eram muito mais pobres que nós quando se juntaram à União e temos uma governação que castiga as pessoas e as empresas com tantos impostos que quase toda a população vive num estado de sobrevivência ou de pobreza escondida, que não só limita a dignidade da vida, mas abre as portas da emigração àqueles que sonham com algo melhor.

Face a isto, certa classe política conseguiu algo que é digno de alto reconhecimento, nomeadamente anestesiar grande parte da população com desculpas estéreis, usando a guerra Ucrânia e a pandemia para cobrir a sua própria incompetência, enquanto gere a Causa Pública com notória irresponsabilidade, incredibilidade, défice de autoridade e enorme aptidão para olhar para o Estado como uma espécie de propriedade privada, onde fomentam carreirismos com o dinheiro dos contribuintes e alimentam todo o tipo de negociatas que favorecem quase sempre os seus – sejam eles familiares, amigos, banqueiros ou empresas com ligações aos corredores do poder, onde encenam jogos perniciosos de compadrio e corrupção.

E assim se explica porque é que somos um país com quase um milhão de funcionários públicos, que os partidos que mandam no Estado usam como fonte de emprego para os seus protegidos e como uma espécie de guarda pretoriana que protege os interesses instalados. Assim se explica um sistema de pensões obsoleto, que não cuida dos pensionistas. Assim se explica uma Saúde que se tornou indiferente à morte de mães, de bebés e de quem sofre. Assim se explica um Ensino que foi transformado numa escola de doutrina da Esquerda, que torna o aluno medíocre, que mata o professor de exaustão e que permite a pais alienados fazer o jogo dos ‘coitadinhos’ e culpar os formadores pelo degredo intelectual e moral que se tem apoderado de uma juventude estupidificada pelos telemóveis.

Mas há mais. Assim se explicam certos partidos que não sabem falar de assuntos sérios, como salários desumanos, impostos insuportáveis e pensões sem dignidade. Assim se explicam certos políticos que, em menos de um mandato, vão de falidos a milionários, sendo claro para todos que não foi do trabalho que lhes veio a súbita riqueza. Assim se explica que um país que empobrece diariamente se tenha especializado em criar fortunas. Assim se explicam os Galambas e os Salgados e os Sócrates e os Medinas deste país, que, em qualquer lugar sério, já tinham sido enviados para o sítio de onde vieram.

Mas somos um país entretido pelo fascínio do futebol e pela vida alheia. E, como sabem bem os donos disto tudo, o povo entretido tem muito mais com que se preocupar do que com quem lhes mete a mão no bolso, tratando os cidadãos como meros pagadores das suas vidas de privilégio e luxo.

Certamente, haverá quem pense que está tudo bem assim, que não vale a pena fazer diferente, que é mesmo assim que as coisas têm de ser e que até critica quem perturba as ordens instaladas. Para esses ‘irriquietos’, vistos como incómodos, não faltam rótulos, que vão desde ‘ressabiados’ a ‘fascistas’. As opções são muitas e vão sendo encaixadas naqueles que se indignam contra o uso da mentira como ferramenta comum da conduta política, contra a banca dos interesses, contra o Estado virado para dentro de si próprio, contra a burocracia castradora, contra o nepotismo, contra o marasmo e contra o negativismo de quem acredita que Portugal e as autonomias não merecem mais e melhor. Como se atrevem? É fácil de explicar. É porque, quando der para o torto (e quase sempre dá para o torto), alguém vai ter pagar. Adivinhem lá quem!