A Guerra Mundo

Guterres admite impossibilidade de negociações de paz em breve

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Foto EPA/Daniel Irungu

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, admitiu serem impossíveis a curto prazo negociações de paz para pôr fim à guerra russa contra a Ucrânia, numa entrevista divulgada hoje pelo jornal espanhol El Pais.

"Infelizmente, penso que, neste momento, uma negociação de paz não é possível", afirmou Guterres, citado pela agência francesa AFP.

O antigo primeiro-ministro português disse que também não vê "qualquer possibilidade de [se] obter imediatamente (...) um cessar-fogo abrangente".

"É evidente que as duas partes estão totalmente empenhadas na guerra" e estão "convencidas de que podem vencer", justificou.

Guterres disse esperar que seja possível, no futuro, levar as duas partes à mesa das negociações.

António Guterres, 74 anos, líder da ONU desde 2017, vai receber hoje, em Espanha, o prémio europeu Carlos V, atribuído pela Fundação da Academia Europeia e Ibero-americana de Yuste numa cerimónia presidida pelo Rei Felipe VI.

O prémio reconhece o trabalho de "pessoas, organizações, projetos ou iniciativas que contribuíram para o conhecimento geral e o engrandecimento dos valores culturais, sociais, científicos e históricos da Europa, assim como para o processo de construção e integração europeia".

O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Guterres, assistem à cerimónia, no Mosteiro de Yuste, Cáceres.

A entrevista do secretário-geral da ONU foi divulgada no dia em que a Rússia celebra a vitória contra a Alemanha nazi, em 1945.

Perante milhares de soldados e a elite política russa reunida na Praça Vermelha, em Moscovo, o Presidente Vladimir Putin apelou para a vitória contra a Ucrânia.

Putin também acusou os países ocidentais de orquestrarem uma guerra contra a Rússia.

"A civilização encontra-se, mais uma vez, num ponto de viragem. Foi lançada uma guerra contra a nossa pátria", disse.

A China, que se apresenta como um interlocutor neutro no conflito na Ucrânia, apesar da proximidade com a Rússia, está a tentar agir como mediadora no conflito.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, está na Europa esta semana, e deverá visitar sucessivamente a Alemanha, a França e a Noruega.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, para "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho.

Desde então, declarou anexadas à Federação Russa as regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, depois de ter feito o mesmo à Crimeia, em 2014.

A Ucrânia e a generalidade da comunidade internacional não reconhecem a soberania de Moscovo nas regiões anexadas.

A guerra contra a Ucrânia mergulhou a Europa naquela que é considerada a pior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Desconhece-se o número de mortos e feridos no conflito, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm admitido que será elevado.

Os aliados ocidentais da Ucrânia, incluindo a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, têm fornecido armas a Kiev para combater as tropas russas.

Impuseram também sanções contra interesses russos para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está em Kiev para o Dia da Europa, que se assinala hoje.