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Bruxelas admite que tensões aumentam riscos e incerteza sem se prever recessão

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A Comissão Europeia admite que as tensões no Médio Oriente aumentam "os riscos e a incerteza" para a economia europeia, embora até agora o impacto tenha sido contido, enquanto o presidente do Eurogrupo rejeita "uma recessão profunda".

"Até agora, o impacto nos mercados da energia da tragédia no Médio Oriente, em Israel e em Gaza, tem sido contido, mas é claro que existe um risco para estes preços se houver uma escalada do conflito e, de qualquer modo, as novas tensões geopolíticas aumentam ainda mais os riscos e a incerteza", declarou o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni.

Falando em conferência de imprensa, em Bruxelas, após uma reunião dos ministros das Finanças do euro, o responsável assinalou que "as perspetivas a curto prazo são desafiantes".

"O PIB [Produto Interno Bruto] registou uma contração de 1% na zona euro no terceiro trimestre e de zero na União Europeia, e os indicadores a curto prazo apontam para a continuação de uma fraca dinâmica económica no início do atual período", destacou.

Na quarta-feira da próxima semana, dia 15, a Comissão Europeia apresentará então as previsões económicas de outono, mas Paolo Gentiloni assinalou que tais projeções já "terão em conta todos os fatores".

"Neste contexto, a coordenação das nossas políticas económicas e orçamentais é ainda mais importante", exortou.

Para a semana seguinte, dia 21, está prevista a divulgação do Pacote de outono do Semestre Europeu com avaliações sobre os projetos orçamentais dos países para 2024, ocasião na qual a Comissão Europeia vai "avaliar em pormenor" aspetos como "o crescimento das despesas primárias líquidas, a retirada das medidas de apoio à energia e se investimento público financiado a nível nacional está a ser preservado", de acordo com Paolo Gentiloni.

Portugal, que esteve representado na reunião pelo secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes, já entregou a Bruxelas, em 16 de outubro, o seu plano orçamental para 2024, que pode estar sujeito a alterações dada a crise política no país.

Também falando em conferência de imprensa, o presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe, admitiu que a economia da zona euro tem tido "alguma perda de dinamismo", o que deverá ser confirmado pelas previsões económicas da próxima semana.

No entanto, Paschal Donohoe assegurou: "A zona euro continua a manter-se resistente e não há razões para esperar uma recessão profunda ou prolongada".

Também hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou que as tensões entre Israel e o grupo islamita Hamas, no Médio Oriente, têm um "impacto limitado" na atividade económica europeia, após pressões iniciais no setor energético, mas alertou para riscos inflacionistas.

"No que respeita ao conflito entre Israel e Gaza, o que vimos em termos de impacto foi um aumento inicial dos preços do petróleo, mas isso foi já totalmente invertido, e também vimos isso na Europa [dado o inicial] aumento dos preços do gás natural em cerca de 10%. Portanto, o conflito até agora tem tido um impacto muito limitado na atividade das economias europeias do lado dos preços", disse o diretor do FMI para a Europa, Alfred Kammer, num encontro com jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa.

No dia em que o fundo divulgou as perspetivas económicas regionais da Europa, Alfred Kammer afirmou que "o impacto adicional dependerá da duração e da intensidade desse conflito".

Em meados de outubro, o preço do gás europeu voltou a subir, após uma tendência de descida pós-pandemia e pós-crise energética, devido aos receios de um conflito mais alargado no Médio Oriente, que podem colocar em risco os fluxos de gás.