A Guerra Mundo

Áustria quer conversar com Rússia para alcançar cessar-fogo

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O chanceler austríaco, Karl Nehammer, afirmou na sexta-feira que deseja falar com o Presidente russo, Vladimir Putin, a fim de conseguir um "fim rápido das hostilidades" na Ucrânia e garantir segurança alimentar mundial.

"A guerra de agressão russa contra a Ucrânia tem implicações dramáticas para a Europa e para o resto do mundo", disse o chefe do Governo austríaco na conferência de política externa e segurança da organização não-governamental (ONG) GLOBSEC, em Bratislava (Eslováquia).

"A Ucrânia merece todo o nosso apoio e solidariedade. Ao mesmo tempo, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir um fim rápido às hostilidades", acrescentou o político democrata-cristão, citado pela agência austríaca APA.

Karl Nehammer acredita que tentar trazer as partes de volta à mesa de negociações para chegar a um acordo de paz, "por exemplo, no quadro do processo de Istambul", é "um imperativo do momento" para garantir a segurança alimentar mundial.

"Milhões de toneladas de trigo, milho e oleaginosas ucranianas estão prontos para exportação e devem deixar o país rapidamente para evitar a fome noutras zonas do mundo, em especialmente em África", lembrou Karl Nehammer.

O chanceler prometeu que a "Áustria vai continuar a dar a sua contribuição".

Para o efeito, Karl Nehammer garantiu que vai continuar a "procurar o diálogo com todas as partes", o que, "apesar de todas as diferenças", implica também falar com Putin, embora não tenha adiantado se existem planos concretos para esses diálogos.

Em 11 de abril, depois de visitar Kiev, Karl Nehammer encontrou-se com o líder do Kremlin em Novo-Ogariovo, residência presidencial nos arredores de Moscovo, numa polémica viagem que surpreendeu dentro e fora da Áustria, uma vez que ocorreu sem aviso prévio à porta fechada e sem resultados aparentes.

Depois de voltar do encontro, o primeiro com Putin de um líder da União Europeia (UE) depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia em 24 de fevereiro, o chanceler mostrou-se "pessimista" sobre a evolução da guerra, embora tenha assegurado que o Presidente da Rússia ainda confia no processo de negociação em Istambul.

Quase dois meses depois, em 27 de maio, Karl Nehammer garantiu, depois de falar por telefone com Putin, que havia lhe dado "sinais" de que poderia permitir a exportação de trigo e outras culturas pelos portos marítimos da Ucrânia.

A Áustria, como parceiro da UE, aderiu às sanções europeias contra a Rússia, embora não tenha enviado armas para a Ucrânia devido ao seu estatuto de país neutro.

Além disso, recusou-se até agora a apoiar um embargo europeu contra as importações de gás da Rússia, argumentando que tal medida seria muito prejudicial para a sua própria economia.

Sobre a aspiração da Ucrânia de obter o estatuto de candidato à adesão à UE, Karl Nehammer reiterou a posição austríaca de que deve aguardar a recomendação de Bruxelas, para depois discutir os próximos passos, incluindo possíveis alternativas à adesão.

Ao mesmo tempo, Viena defende a aceleração das negociações para uma rápida adesão da Macedónia do Norte e da Albânia.