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População de Nkoe em debandada após tiroteios entre rebeldes e forças governamentais

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Várias pessoas na comunidade de Nkoe, em Macomia, na região central da província moçambicana de Cabo Delgado, abandonaram a aldeia na sequência de uma troca de tiros, na quinta-feira, entre rebeldes e forças governamentais, disseram à Lusa fontes locais.

"Os tiroteios começaram por volta das 06:00 (menos uma hora em Lisboa). Não sabemos ao certo se houve mortes, mas algumas casas foram incendiadas e, por isso, começamos a abandonar a aldeia", disse à Lusa um residente da comunidade que se refugiou em Pemba (capital provincial).

Outra fonte que vive em Macomia disse à Lusa que várias pessoas da comunidade de Nkoé decidiram procurar refúgio na vila sede do distrito.

"A sede de Macomia está cheia de pessoas que vêm de Nkoé", frisou a fonte.

Nas últimas semanas, os rebeldes que têm aterrorizado a província de Cabo Delgado tem estado a estender as duas ações para o centro e sul de Cabo Delgado, com destaque para o distrito de Ancuabe, que registou, desde 05 de junho, várias incursões dos grupos rebeldes, havendo o registo de uma nova vaga de cerca de 17 mil deslocados e um número de óbitos desconhecido.

Supõe-se que as ações em diferentes locais remotos do distrito de Ancuabe sejam desencadeadas por rebeldes em fuga da ofensiva militar que está em curso desde julho de 2021, com apoio internacional, no extremo norte de Cabo Delgado (distritos de Palma, Mocímboa da Praia e Muidumbe), na zona dos projetos de gás.

A comunidade de Nkoé, que alberga parte dos deslocados de Ancuabe, está a 30 quilómetros da aldeia de Nova Zambézia, distrito de Macomia, ao longo da estrada nacional 380, a única via asfaltada que liga o norte e sul de Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia a presença de rebeldes, mas, a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.