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Macron acusa Le Pen de evitar quem não pensa como ela

Foto: EPA/Guillaume Horcajuelo
Foto: EPA/Guillaume Horcajuelo

O Presidente francês, Emmanuel Macron, criticou hoje a sua adversária na segunda volta das presidenciais, no domingo, considerando que Marine Le Pen pretende falar em nome do povo, mas evita o contacto com quem não pensa como ela.

"A candidata de extrema-direita esconde-se do povo. Muitas das pessoas que dizem defender o povo, na verdade vemo-los muito raramente a discutir com o povo. Eles têm uma violência verbal que surpreenderia as pessoas se os contactassem diretamente", declarou Emmanuel Macron numa entrevista divulgada hoje pela radio France Culture.

O Presidente candidato à reeleição, que tem aumentado o tom das críticas à extrema-direita na reta final da campanha eleitoral em França, disse que Marine Le Pen gosta de ficar confortavelmente nas cidades e territórios onde sabe que terá uma boa receção e onde tem votos assegurados, em vez de se encontrar com as pessoas em todo o país.

"Sempre estive em contacto com pessoas que discordam de mim", indicou Macron.

Marine Le Pen esteve hoje em Caen, no norte do país, e estará na quinta-feira em Arras, também no Norte, regiões onde o seu partido, União Nacional, encontra um eleitorado favorável às suas ideias.

A candidata da extrema-direita deverá estar a preparar agora o debate com Emmanuel Macron, que acontece na quarta-feira e que é o único debate entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais.

No domingo, o jornal 'online' francês Mediapart revelou o relatório do gabinete antifraude da União Europeia entregue às autoridades franceses sobre Marine Le Pen, que a acusa de enquanto eurodeputada se ter apoderado indevidamente de cerca de 140 mil euros.

A candidata reagiu acusando as instituições europeias de "golpe baixo".

"Os golpes baixos da União Europeia, alguns dias antes da segunda volta, estou habituada e creio que os franceses não se deixam enganar", disse hoje Le Pen, enquanto visitava um mercado.

No relatório, as autoridades europeias acusam Marine Le Pen e outros eurodeputados da então Frente Nacional de terem burlado o Parlamento Europeu em mais de 600 mil euros, com assistentes, que em vez de trabalharem em Bruxelas trabalhavam para o partido em França, e com contas fictícias.

O ocupante do Eliseu é escolhido no domingo, assinalando as sondagens divulgadas hoje um aumento da vantagem de Emmanuel Macron em relação a Marine Le Pen.

Segundo a sondagem do instituto Ipsos, o Presidente cessante ganhará o escrutínio com 56% dos votos, contra 44% para Marine Le Pen. A da Ifop atribui 54,5% a Macron e 45,5% à candidata da extrema-direita.