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Oposição venezuelana exige plano científico de imunização

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A oposição venezuelana, aliada de Juan Guaidó, questionou hoje as políticas governamentais em matéria de prevenção da covid-19 e exigiu um programa de "vacinação em massa" com "critérios científicos e não políticos".

A oposição denuncia que "ao ritmo atual" são necessários "10 anos" para vacinar os venezuelanos e acusa o regime de estar a fazer "controlo social" com a imunização ao exigir que seja feita uma inscrição no Cartão da Pátria, que está associado ao partido do Governo.

"A Venezuela precisa de um plano de vacinação em massa, que deve ser elaborado com critérios científicos e não políticos. As vacinas não podem ser usadas como um método de controlo social", escreveu José António Mendoza na rede social Twitter.

O ex-deputado disse ainda, numa outra mensagem na mesma rede social, que "Maduro (Nicolás, Presidente da Venezuela) prometeu 10 milhões de vacinas para o primeiro trimestre de 2021 e mentiu aos venezuelanos".

"Agora ele promete que em agosto vai vacinar 70% da população, mas as vacinas ainda não dão entrada no país. Parem a politiquice!", afirma.

Segundo José António Mendoza, a oposição "exige que o regime cesse a instrumentalização política da grave crise com a covid-19" e diz que "nos atos recentes, tem demonstrado que está em capacidade de adquirir e distribuir vacinas e não o tem feito".

Entretanto, o presidente da Academia Nacional de Medicina da Venezuela (ANM), Enrique López-Loyo, tem alertado que "o coronavírus continuará, com altas taxas de contágio e mortalidade, devido à lentidão no processo de vacinação".

"À velocidade (de vacinação) a que vamos (...) poderíamos demorar até 10 anos para vacinar-nos se não houver (um programa de) vacinação efetiva. A Venezuela seria então um ponto negro em todos os aspetos de controo na área sub-regional da América Latina", disse durante uma videoconferência.

Citando dados do Ministério da Saúde, o presidente da ANM explicou que a Venezuela recebeu até agora 1,4 milhões de vacinas e que não se tem sequer 1% dos venezuelanos vacinados.

"Há um curso inexorável da patologia. O pico de infeções e a alta mortalidade vão continuar", frisou, alertando que o número de contagiados no país poderá ser "8 a 10 vezes" superior ao atual devido ao alegado baixo número de testes diários que se realizam no país.

Segundo a Academia Nacional de Medicina da Venezuela, são necessárias vacinas "para imunizar quase 15 milhões de venezuelanos, ou seja, 70% da população adulta".

No entanto, segundo, o presidente da Federação Médica Venezuelana, Douglas León Natera, a Venezuela necessita de 40 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, para imunizar a população.

De acordo com os dados oficiais, o país contabilizou 2.428 mortes associadas ao novo coronavírus SARS-CoV-2 e 217.603 casos da doença, desde o início da pandemia.

Segundo as autoridades locais, a Venezuela recebeu 1,4 milhões de doses de vacinas da chinesa Sinopharm e da russa Sputnik V.

Entretanto, Caracas anunciou ter adquirido mais de 11 milhões de vacinas contra a covid-19, através do Covax.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.406.803 mortos no mundo, resultantes de mais de 164,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.013 pessoas dos 843.278 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.