País

José Sócrates pede "autoavaliação" do jornalismo

Foto: André Luís Alves / GlobalImagens
Foto: André Luís Alves / GlobalImagens

O antigo primeiro-ministro José Sócrates disse hoje que o jornalismo em Portugal deveria fazer uma "autoavaliação", depois de ter sido pronunciado na decisão instrutória do processo Operação Marquês por apenas seis dos 31 crimes de que estava acusado.

Em declarações aos jornalistas após a leitura da decisão pelo juiz Ivo Rosa, no Tribunal Central de Instrução Criminal, no Campus da Justiça, em Lisboa, o antigo líder do Partido Socialista considerou que "todas as grandes mentiras contadas aos portugueses em sete anos são falsas" e destacou que isso ficou hoje "provado" em tribunal.

"Não acham que o jornalismo devia também fazer uma autoavaliação? Nada disto teria chegado a este ponto se o jornalismo tivesse cumprido o seu dever. O que deviam fazer era olhar para tudo o que escreveram, para os milhares de horas de televisão, e perguntar-se 'Como é que pudemos dar publicidade a estas alegações, que, afinal de contas, não tinham nem factos, nem indícios, nem provas", questionou.

José Sócrates reiterou que os jornalistas "estavam errados" e sublinhou ter sido "inacreditável" que um jornalista não tivesse tido a "atitude decente" de perguntar ao Ministério Público (MP) para mostrar as provas que estariam na base da acusação.

O antigo chefe de governo acusou ainda quem tentou alegadamente valorizar, na fase de instrução do processo, as provas diretas que o poderiam levar a julgamento.

"O que está em causa na instrução não são as provas diretas, são as provas indiretas, são os indícios. O que se pede na instrução não é uma prova definitiva e cabal. Pede-se apenas que haja indícios suficientes para o caso ir a julgamento. Aqueles que dizem que o juiz liga mais ou menos a provas indiretas não sabem do que estão a falar. O que hoje foi concluído relativamente à corrupção é que não há nem provas diretas, nem indiretas. Não há factos nem indícios", frisou.

Questionado sobre um eventual regresso a uma maior participação ativa na política, José Sócrates disse que isso era uma questão que lhe dizia respeito e que não queria partilhar.

A decisão instrutória do juiz Ivo Rosa determinou hoje que José Sócrates vai a julgamento por três crimes de branqueamento de capitais e outros três de falsificação de documentos. O ex-primeiro ministro estava acusado desde 2017 de 31 crimes: três de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada, num processo com 28 arguidos e que já dura há sete anos.