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Bruxelas recusa entrar no “jogo da culpa” com o Reino Unido

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A Comissão Europeia recusou hoje jogar “o jogo da culpa” com o Reino Unido, rejeitando que uma saída desordenada daquele país do bloco comunitário possa ser imputada a Bruxelas ou represente um fracasso nas negociações entre ambos.

Instada a pronunciar-se sobre a retórica crescente do Governo britânico de culpabilização da União Europeia por um eventual ‘Brexit’ sem acordo, a porta-voz do executivo comunitário esclareceu que Bruxelas não quer entrar “no jogo da culpa”.

“Não seria responsável da nossa parte jogar esse jogo. Não é esse o papel da Comissão, que procura sempre encontrar soluções construtivas e assegurar que nós e os nossos Estados-membros estão preparados para o caso de esse cenário, que nós não desejamos, acontecer”, completou Mina Andreeva.

Numa conferência de imprensa marcada maioritariamente pelas insistentes questões dos jornalistas britânicos sobre as responsabilidades de Bruxelas em caso de ‘no deal’ [saída sem acordo], e o fracasso negocial que esse cenário representaria, a porta-voz chefe da Comissão Europeia lembrou que, para uma negociação ser bem-sucedida, “são precisos dois para dançar o tango”.

“Se a música e o ritmo não são os corretos, obviamente não temos dança, mas não significa que tenha sido um falhanço. Penso que ambos os lados negociaram com as melhores intenções. O resultado das negociações que está em cima da mesa é o melhor acordo possível. E penso que não há nenhuma responsabilidade ou culpa a apontar”, defendeu.

Andreeva recordou ainda que, durante dois anos, a União Europeia demonstrou a sua disponibilidade ao negociar com o Reino Unido o Acordo de Saída, firmado em novembro pelas duas partes, mas vincou que a posição dos 27 se mantém imutável: “o Acordo de Saída não será negociado, mas estamos dispostos a trabalhar na Declaração Política”.

A responsabilização de Bruxelas e da União Europeia (UE) por um eventual ‘Brexit’ desordenado tem sido recorrente por parte do novo Governo britânico e atingiu no domingo um novo ponto alto, com o ministro britânico para o ‘Brexit’, Stephen Barclay, a escrever numa coluna de opinião no jornal Mail on Sunday que os líderes europeus tinham de deixar cair a solução de salvaguarda para a fronteira irlandesa, que considerou “antidemocrática”, para evitar o ‘no deal’.

Nesse texto, Barclay instou o negociador chefe da UE, Michel Barniel, a elucidar os chefes de Estado e de Governo sobre este cenário, de modo a que possam voltar a renegociar um acordo.

“Caso contrário, o ‘no deal’ aproxima-se a passos largos”, acrescentou.

Dias antes, em 29 de julho, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, argumentou que o Acordo de Saída, firmado entre a anterior primeira-ministra, Theresa May, e Bruxelas, e já endossado pelos 27, estava morto e insistiu que queria negociar um novo sem a solução para a fronteira irlandesa.

Bruxelas tem reiterado quase diariamente que não pretende renegociar o documento alcançado após quase dois anos de negociações com Theresa May e que não pretende abdicar do ‘backstop’ irlandês.

A solução para a Irlanda do Norte pretende evitar uma fronteira física com a República da Irlanda e implica que a província britânica fique alinhada com as regras do mercado comum até ser assinado um acordo de comércio livre entre o Reino Unido e a UE.