Grupo armado afecto ao regime atacou viatura de Juan Guaidó
Um alegado grupo de coletivos (motociclistas armados afetos ao regime) atacaram com explosivos, terça-feira, a viatura do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.
Os coletivos intercetaram a viatura geralmente utilizada porn Juan Guaidó e atacaram-na com golpes, paus, pedras e engenhos explosivos.
Segundo um vídeo divulgado na Internet, o ataque ocasionou danos materiais na porta do lado do motorista e destruiu o espelho retrovisor.
O ataque teve lugar depois dos coletivos cercarem o Palácio Federal Legislativo, gritando palavras de ordem e insultos contra os parlamentares e contra Juan Guaidó, que também é presidente da Assembleia Nacional (parlamento), onde a oposição detém a maioria.
Juan Guaidó saiu do parlamento onde presidiu uma sessão durante a qual condenou a chegada à Venezuela de dois aviões russos e de quase uma centena de militares da Rússia, no último sábado, e acusou Caracas e Moscovo de violarem a Constituição venezuelana.
Segundo o parlamento as missões militares deveriam ser autorizadas por aquele organismo, o único controlado pela oposição no país caribenho.
“Esses aviões não trouxeram geradores, nem técnicos para intervir (na barragem de) El Guri, nem geradores para substituir os danificados, trouxeram militares estrangeiros para solo venezuelano, esquecendo a crise que temos na Venezuela”, disse, em alusão ao apagão que desde segunda-feira afeta o país.
Guaidó frisou que o Governo venezuelano “não tem como solucionar” a crise elétrica “que criou” no país, e que inventa motivos, recomendando à população que compre velas e lanternas, perante uma falha técnica provocada pelo “mau funcionamento e a corrupção” no sistema elétrico venezuelano.
Entretanto, através de um comunicado a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiro de Rússia, Maria Zajarova, explicou que o envio de tropas militares russas para Caracas faz parte de um acordo de cooperação técnico-militar assinado entre a Venezuela e a Rússia em 2011, o que dispensa “aprovação adicional”.
Prolongada suspensão de actividades escolares e laborais devido a apagão
Na restante actualidade do País, abe-se que o Presidente venezuelano prolongou por 24 horas a suspensão de atividades laborais e escolares, devido ao apagão que as autoridades dizem ter sido provocado por um “ataque terrorista” e que desde segunda-feira tem deixado o país parcialmente às escuras.
O anúncio foi feito pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, através da sua conta na rede social Twitter.
“Continuamos a trabalhar na restituição do serviço elétrico sob a direção do Presidente Nicolás Maduro que, avaliando o alcance dos danos ocasionados por este ataque terrorista e para facilitar os trabalhos, prorrogou a suspensão das atividades escolares e laborais este 27 de março”, informou.
Na Venezuela, persistem apagões parciais em zonas da cidade de Caracas e nos Estados de Zúlia, Bolívar, Anzoátegui, Carabobo, Maracay, Arágua, Mérida, Táchira, Lara, Trujillo e Vargas.
Nas localidades venezuelanas onde já foi restabelecida a energia elétrica, os utilizadores queixam-se de que a eletricidade apresenta oscilação de voltagem.
As falhas de eletricidade têm dificultado as comunicações e o serviço de internet.
O apagão, que começou pelas 11:00 locais (15:00 em Lisboa) de segunda-feira em várias zonas do sudoeste da Caracas, estendeu-se a outras zonas, sendo que duas horas mais tarde a cidade ficou toda às escuras, constatou a agência Lusa.
Num comunicado, o Governo venezuelano explicou que na segunda-feira o Sistema Elétrico Venezuelano (SEV) foi alvo de dois ataques terroristas, um deles um incêndio na barragem de El Guri, a principal do país.
Na Venezuela são cada vez mais frequentes e prolongadas as falhas de fornecimento de eletricidade, chegando a afetar a totalidade do território.
O Governo atribui as falhas a atos de sabotagem de opositores apoiados pelo Estados Unidos, enquanto que a oposição acusa o regime de não fazer os investimentos necessários no setor e tem denunciado, desde há vários anos, falhas na manutenção e ausência de peças de reparação.
Desde 2005 que engenheiros elétricos alertam que o país poderia registar um apagão geral devido às condições precárias do sistema.
Entretanto, segundo a imprensa local, devido à crise política, económica e social, centenas de empregados da Corporação Elétrica Nacional da Venezuela (Corpoelec) abandonaram o país à procura de melhores condições no estrangeiro.