Crise na Venezuela e cooperação fronteiriça debatidas pelos presidentes do Brasil e Colômbia
A procura de soluções para a crise na Venezuela e a cooperação fronteiriça foram assuntos abordados hoje pelo Presidente brasileiro e o seu homólogo colombiano, Ivan Duque, numa conversa telefónica, anunciaram fontes oficiais.
“Os dois conversaram sobre a grave crise que atinge a Venezuela e sobre a necessidade de cooperar na procura de soluções”, informou a presidência brasileira, num comunicado a propósito do telefonema do líder colombiano para felicitar Bolsonaro, empossado esta terça-feira como 38.º Presidente do Brasil.
As políticas conservadoras de Bolsonaro alinham-se com as de Duque, que, na conversa, desejou sucesso ao novo chefe de Estado brasileiro e reiterou o seu desejo de fortalecer as relações entre os dois países.
Ainda de acordo com a mesma nota do Palácio do Planalto, além de destacar a vontade de reforçar os laços económicos, Bolsonaro abordou na conversa a situação na Venezuela - país com uma comunidade de cerca de 500 mil portugueses e lusodescendentes - e cuja crise económica, política e social levou milhões de venezuelanos a sair para países vizinhos, incluindo a Colômbia e o Brasil.
Neste sentido, Bolsonaro identificou como um dos assuntos de especial atenção a cooperação na área de fronteiras, no qual a Colômbia tem uma vasta experiência por ser o principal recetor de emigrantes venezuelanos.
Desde que foi eleito Presidente, em outubro passado, Bolsonaro tem dito que não obrigará os venezuelanos que procuraram refúgio no Brasil a regressar à Venezuela, mas já afirmou que pretende impor um regime para controlar a entrada de migrantes.
Segundo números oficiais do Governo colombiano, baseados em dados de organismos internacionais, dos 2,3 milhões de venezuelanos que abandonaram o seu país, mais de metade está na Colômbia.
Quanto ao Brasil, dados oficiais apontam que, desde 2017 e até setembro passado, entraram no país quase 150 mil venezuelanos, na localidade fronteiriça de Pacaraima, no estado amazónico de Roraima, e a única passagem fronteiriça entre os dois países, mas um pouco mais de metade (79.402) já abandonaram este território.
As autoridades brasileiras estimam que entre 700 e 800 venezuelanos chegam diariamente a Pacaraima.
A falta de estrutura de Roraima, um dos estados mais pobres do Brasil, motivou conflitos entre brasileiros e venezuelanos na fronteira e obrigou o Governo a iniciar um processo para transferir os imigrantes para outras cidades, que avança lentamente.
O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse esta terça-feira que os projetos políticos dos seus homólogos no Brasil, na Colômbia e na Argentina são inviáveis na região da América Latina e acabarão por provocar uma “nova onda” de governos de esquerda.
“Projetos neoliberais de direita na América Latina e no Caribe são inviáveis e vão provocar o ressurgimento de uma nova onda de transformações populares”, disse Maduro, durante uma entrevista divulgada no primeiro dia do ano.
No mês passado, a equipa de Jair Bolsonaro e as autoridades venezuelanas envolveram-se numa troca de argumentos sobre a cerimónia de posse do novo Presidente brasileiro, que obrigou o Governo de Brasília a esclarecer que tinha retirado os convites a Cuba e à Venezuela, a pedido do chefe de Estado eleito. Pela sua parte, o executivo venezuelano divulgou uma cópia do convite enviado antes e garantiu que Maduro não tinha intenção de assistir à cerimónia.