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Presidência rotativa da Conferência sobre Desarmamento causa indignação

Foto Reuters
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Vários Estados-membros da ONU manifestaram indignação perante o facto de a Síria assumir a partir de hoje, durante quatro semanas, a presidência rotativa da Conferência sobre Desarmamento, organismo que estará reunido esta semana em Genebra.

A medida está em conformidade com os estatutos do organismo, uma vez que a Síria vai substituir a Suíça na presidência rotativa, seguindo a ordem alfabética (em inglês) dos 65 Estados-membros que integram actualmente a Conferência sobre Desarmamento.

A formalidade está, porém, a suscitar indignação porque surge algumas semanas depois de mais um presumível ataque químico na Síria, cuja responsabilidade está a ser atribuída ao regime de Damasco.

“O Reino Unido lamenta o facto de a Síria ir assumir a presidência da Conferência sobre Desarmamento, dado o consistente e flagrante desrespeito por parte do regime [sírio] das normas e dos acordos internacionais de desarmamento e de não-proliferação”, afirmaram diplomatas britânicos, num comunicado citado pela estação pública britânica BBC.

A Conferência sobre Desarmamento não é considerada como um órgão das Nações Unidas, mas realiza as respectivas reuniões na sede da organização internacional em Genebra (Suíça).

“Nem o secretário-geral (da ONU) pode mudar o sistema [da presidência rotativa]”, disse uma fonte das Nações Unidas.

“Tem de ser mudado pelos Estados-membros”, acrescentou a mesma fonte.

A par do Reino Unido, outro membro da Conferência sobre Desarmamento e da ONU insurgiu-se publicamente contra a presidência síria.

“Segunda-feira, dia 28 de Maio, será um dos dias mais sombrios da história da Conferência sobre Desarmamento, com a Síria a iniciar a sua presidência de quatro semanas”, escreveu o embaixador dos Estados Unidos em Genebra, Robert Wood, na rede social Twitter.

“O regime de Damasco não tem credibilidade nem autoridade moral para presidir à Conferência sobre Desarmamento. A comunidade internacional não deve ficar em silêncio”, reforçou o representante diplomático de Washington.

A Conferência sobre Desarmamento esteve envolvida nas negociações da Convenção para a Proibição das Armas Químicas, documento que foi assinado pela Síria em 2013.

A perspectiva de ter Damasco na presidência deste organismo, cujo regime liderado pelo Presidente Bashar al-Assad é acusado pelo Ocidente de utilizar gases tóxicos contra a população civil síria, está a incomodar várias vozes internacionais.

Atualmente, a Organização para a Proibição de Armas Químicas está a investigar a Síria sobre diversas acusações e a estrutura acredita que armas químicas foram usadas, ou que existe uma grande probabilidade de terem sido usadas, em 14 situações até à data.

O caso mais recente foi relatado no início de abril, quando informações indicaram que um presumível ataque químico em Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, teria provocado mais de 40 mortos e afectado cerca de 500 pessoas.

A Síria, que entrou no oitavo ano de guerra, vive um drama humanitário perante um conflito que já fez pelo menos 511 mil mortos, incluindo cerca de 350 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados. Mas estes números estão em constante evolução.

Na terça-feira passada, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse que mais de 43 mil pessoas morreram na Síria desde janeiro de 2017 devido à guerra civil, período em que as forças governamentais retomaram mais de 80 mil quilómetros quadrados de território.

Segundo esta organização não-governamental, entre as 43.572 vítimas mortais figuram 14.460 civis, dos quais 3.070 eram menores e 2.090 mulheres.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.