Emirados Árabes Unidos apelam ao mundo que se una por um futuro sustentável
Os Emirados Árabes Unidos, que querem tornar-se o melhor país do mundo, desafiaram esta semana o resto do mundo a olhar para o futuro de forma sustentável e valorizando o capital humano, como ensinou o fundador do país.
No ano em que se assinala o centenário do nascimento do fundador dos EAU, o xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, a segunda edição da cimeira Aqdar -- que significa ‘nós podemos’ -- focou-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU em 2015.
“O xeque Zayed introduziu os 17 objetivos e outros quando se tornou líder da região leste de Abu Dhabi em 1946. Nessa altura ele já falava sobre a sustentabilidade da educação, sustentabilidade da agricultura, do ambiente. Tudo o que ouvimos hoje, ele praticou há 70 anos”, disse à Lusa o presidente da comissão científica da Cimeira Mundial Aqdar, que hoje termina em Abu Dhabi.
Hoje, o Governo dos EAU quer continuar a tradição deste “líder visionário” e mobilizar os países de todo o mundo a unirem esforços para prepararem o futuro de forma sustentável, disse Abdulla Al Raisi, que é também diretor-geral do Arquivos Nacional do país.
Já na sessão de abertura da cimeira, na segunda-feira, o ministro da Tolerância, xeque Nahyan bin Mubarak Al Nahyan, disse que “no ano de Zayed, o mundo precisa da sabedoria contida nos feitos e palavras do fundador xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan”.
Na declaração final da cimeira, os organizadores defendem por isso que todos os países devem aplicar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável nas escolas, nos governos e organizações.
Recomendam ainda a adoção destes objetivos “como a pedra angular de uma unidade global construtiva baseada no empoderamento das mentes e na sua libertação dos grilhões do extremismo”.
Em declarações à Lusa, Abdulla Al Raisi acrescentou que a missão dos EAU não termina aqui e que a partir da próxima edição, a Cimeira Mundial Aqdar deverá sair do país e realizar-se noutro lugar do mundo.
“Um ano será em África, outro ano na Ásia, passará por diferentes continentes”, adiantou à Lusa, admitindo que o tema de cada edição venha a ser adequado ao continente onde se realiza: “Se for em África poderá ser sobre pobreza, na Europa sobre alterações climáticas”, exemplificou.
O projeto enquadra-se na visão do governo de Abu Dhabi para o futuro, que é ambiciosa.
Segundo a Visão 2021, lançada em 2010, o executivo quer que o país esteja entre os melhores do mundo no ano em que se assinalam os 50 anos da fundação dos EAU.
Já para o centenário do país, em 2071, os EAU querem ser o melhor país do mundo.
“Precisamos de ser número um em tecnologia. Somos o número 13 em felicidade, queremos ser número um. São objetivos definidos em estudos científicos, não estamos a dizer que queremos ser número um sem saber quem está hoje em número um. Há objetivos definidos pela ONU e estamos a trabalhar para alcançar o nível mais elevado em cada um dos critérios, explicou Abdulla Al Raisi.
A exploração espacial, a inteligência artificial ou as energias alternativas são alguns dos setores em que os EAU estão a investir.
A aposta nas energias alternativas é mais uma área em que o país segue a visão do seu fundador: “O xeque Zayed disse que, quando ao fim de 50 anos entregássemos o último barril de petróleo, estaríamos felizes por fazê-lo porque dependeríamos de energias alternativas”, exemplificou Al Raisi.
“Estamos preparados para o futuro. Sabemos que há desafios. O petróleo vai secar e devemos procurar a alternativa. Esta é a alternativa. Temos tanto sol, devemos aproveitá-lo”, afirmou.
O responsável disse ainda que o país já está na liderança no que toca, por exemplo, à tolerância, recordando que 90% da população do país é estrangeira, de cerca de 200 nacionalidades diferentes, e “todos coexistem, lado a lado, sem problemas”.
A discriminação de migrantes é, no entanto, uma das questões apontadas como preocupantes nos EAU, segundo um relatório divulgado em janeiro pelo alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que referia ainda a tortura e a desigualdade de género como motivos de preocupação no país.