Presidente condecora artista Ernesto de Melo e Castro em São Paulo nas comemorações do 10 de Junho

Brasil /
11 Jun 2017 / 16:15 H.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou hoje em São Paulo o artista português Ernesto Melo e Castro com a Ordem do Infante Dom Henrique, sob um céu que “só pode ser luso-brasileiro”.

A condecoração do poeta e artista plástico, de 85 anos, decorreu hoje de manhã no consulado-geral de Portugal em São Paulo, onde está patente uma exposição da obra de Ernesto de Melo e Castro, no âmbito da visita do Presidente da República e do primeiro-ministro, António Costa, ao Brasil para comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

A condecoração, declarou o chefe de Estado, homenageia “um mestre, que é um experimentalista, e nesse sentido, um existencialista”.

“A homenagem nunca é tardia, porque é mais saborosa. É prestada no Brasil, quem diria, e ouvindo o próprio a recordar o percurso que fez. Normalmente as homenagens são póstumas, aí todo o mundo passa a génio”, comentou.

Além disso, a condecoração resulta da “colaboração dos órgãos de soberania: o senhor primeiro-ministro propôs a condecoração, o Presidente da República outorgou” e “os deputados [do PS, PSD, PCP, Bloco de Esquerda e CDS-PP, que integram a comitiva portuguesa] dos vários partidos apoiam”.

“Daquilo que tradicionalmente se chama a esquerda-esquerda até ao centro-direita e à direita moderada e civilizada, todos de acordo. São todos experimentalistas, ao menos hoje, na admiração de Ernesto Melo e Castro”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que antes destacou “o dia glorioso” que hoje amanheceu em São Paulo, apesar de frio.

“Mas que dia glorioso. Olhamos para o céu e o céu só pode ser luso-brasileiro. Está um tempo formidável para Portugal, nesta altura estamos a entrar no verão, formidável para o Brasil, que normalmente estaria mais frio se não estivesse aqui Portugal presente”, brincou.

À chegada ao consulado-geral, o primeiro-ministro cumprimentou o artista, que recordou ser “um grande amigo” do pai de António Costa, o escritor Orlando da Costa.

“O seu pai foi dos poucos poetas que me ensinou alguma coisa, mas não foi na poesia que ele me ensinou, foi na vida”, afirmou Melo e Castro, ao que António Costa respondeu: “Olhe, foi o que me aconteceu a mim, que também não deu para poeta”.

“Você é a cara do seu pai, ainda bem”, comentou ainda o artista, que há 20 anos reside no Brasil.

Ernesto de Melo e Castro afirmou-se surpreendido com a condecoração, que estendeu aos poetas da sua geração, nomeadamente António Ramos Rosa ou Armando da Silva Carvalho, falecido recentemente.

“Recebi das críticas mais insultuosas em Portugal, recebi o esquecimento de alguns colegas que eu tanto estimava, vi aqueles que eu mais estimava, como o António Ramos Rosa, morrer quase no anonimato injusto”, lamentou.

Melo e Castro recordou depois os poetas “que constituem aquilo a que se vai chamando a cultura poética portuguesa, que sempre esteve ligada à liberdade”.

“A maior parte dos poetas portugueses foram perseguidos, julgados, encarcerados, morreram miseráveis, esquecidos, mas eu peço-lhes que ressuscitem hoje”, disse.

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