Comunicar por assobio

Ao Partido Sem Discernimento, dos que assobiam por ignorância ou ambições pessoais, juntou-se o Partido da Severa Derrota que manterá no essencial tudo igual por ser um Partido Sôfrego por Dinheiro

07 Out 2017 / 02:00 H.

Lembro-me de um avarento de posses que tinha um caseiro para lhe tratar da propriedade. Sempre que chegava a época das anonas, o caseiro trepava à árvore e, enquanto este trabalhava, o avarento cá em baixo dizia: - assobia Manuel, assobia! É um exemplo de comunicação com uma mensagem subliminar. Há dias estava no supermercado e ouço um assobio, logo de outro ponto responde uma criança: - Estou aqui, pai! Um assobio produziu uma resposta. O PSD-M teve o pior resultado da sua história e estão todos a assobiar para tão só rodar posições entre a Renovação que não tem humildade e soluções na sua exiguidade, desculpando-se com a comunicação. Se não comunicassem, não saberíamos da má qualidade. Conclui-se que comunicar é fácil, o problema é a mensagem. O PSD-M, “com serenidade”, está-se a “obrar” para a derrota quando o povo conhece o PSD-M há 40 anos.

Ao Partido Sem Discernimento, dos que assobiam por ignorância ou ambições pessoais, juntou-se o Partido da Severa Derrota que manterá no essencial tudo igual por ser um Partido Sôfrego por Dinheiro. A mensagem é péssima. A do argumento, do discurso, do exemplo e do mote.

O Partido da Severa Derrota é o mesmo da vitória, em 2015, com discurso para acabar com a era de betão, mas que verteu toneladas de betão inútil nas ribeiras do Funchal e vai “atentar” no Paul da Serra. Quando o Partido Sem Discernimento se ajeita para prosseguir no betonismo, sob a capa de estudos que nunca vêm a público e de (ir)responsáveis conotados nas tutelas chave para alimentar o Partido Sôfrego por Dinheiro, temos a mensagem entornada. Alguns parecem Kim Jong-un a cuidar de um paiol. Depois dizem que têm problemas de comunicação. Os Solanum Lycopersicum têm é problemas de mensagem! Não querem mudar, os lobbies mandam mais do que os votos, quão difícil é a missão de governar para o povo nas tremendas teias do Partido Sem Discernimento. Se estigmas tem, estigmas promove, nesta era da política em directo que escrutina dia-a-dia a sinceridade e a verdade e pouco se impressiona com acções de charme pré eleitoral.

Com uma derrota política tão severa, só o “robôcrata” é que pede demissão e atira-se fel aos bons mensageiros?

O que é feito do discurso forte de ruptura e do capital político do vencedor das últimas Regionais de 2015? Onde está a assumpção da responsabilidade dos que cortaram o PSD abaixo do 10.000 no primeiro congresso da Renovação? Dos que eliminaram a experiência e know-how para serem alguma coisa no seio de tapados? Onde está o Gabinete de Estudos a produzir ideias, programa e discurso para o PSD não cair no vazio de enxovalhar os adversários, suportados por mensagens de má-língua nas redes sociais? Onde está o responsável pela eliminação do PSD-M basista e interclassista? O que impôs candidatos, ultrapassando e ignorando os órgãos locais do PSD-M (comissões políticas de freguesia e concelhias), gerando revolta e falta de mobilização notória que culmina na hecatombe eleitoral, numa lógica do seu interesse e não dos concelhos? Que raio de autonomistas são estes se não conseguem descentralizar a gestão política aos que melhor conhecem as zonas? Onde estão os políticos investidos de cargos no GR que projectaram de novo o mau ambiente da governação sobre escolhas insensatas de candidatos autárquicos? Agora, com novos derrotados e uma hecatombe maior, irão afastar também os candidatos derrotados da Renovação? Sabe-se que não pois até já os estão a premiar, que grande dualidade mas, esta última forma é a certa. Caiu a argumentação que disfarçou o divisionismo. Onde está a responsabilidade dos que promoveram a derrota do PSD-M nas Autárquicas de 2013 e que agora se armam em virgens moralistas com a derrota de 2017? Onde está a responsabilidade do homem que vai à boleia por falta de imagem, imposto pela força familiar do império, que mina aqui e ali o PSD-M a seu favor com a imposição de candidatos que perdem? Outro queima méritos. Onde está o insuportável contabilista a provar o indefensável e a ferir a inteligência dos outros? Vai outra vez passar pelos pingos da chuva? Onde está o novo símbolo do caciquismo que o povo abomina e que traz impopularidade num exagero verbal que mata? Onde está o quer mas não quer, está mas não está, é mas não é, esse e outros que jogam em todos os tabuleiros? Onde estão os animais pedantes que exibem a sua inferior superioridade investidos da chave da retrete que, em vez de se sentirem com responsabilidade, perseguem, ameaçam e maltratam funcionários públicos que agora aplicaram o castigo ao PSD-M? Onde estão os que insultam gratuitamente, sem pingo de história, militância ou legado e que se refugiam em Sá Carneiro sem nunca terem lido uma página sobre ele? Onde estão os militantes que, não querendo abrir os olhos, estão amarrados ao saudosismo de um passado que alimenta más sementes? Onde estão os grupelhos da exclusividade que alcunham e adjectivam a cidadania que não lhes convém? Onde estão os que passam profissional e obscenamente à frente de outros bem melhores, por cunha, e que desmoralizam toda a “cadeia de valor” da Função Pública?

Fizeram tantas que o povo não acredita à partida. Falta uma grande depuração com actos para que o eleitor volte a confiar. Lá foi o tempo do povo só se pronunciar pelo voto, a cidadania e a opinião pública está a amadurecer. O PSD-M da Renovação é um avião que não desce à terra, com problemas de mensagem somados à fraca governação e a caça às bruxas, muitos militantes perceberão que chegou a hora de mudar de vida porque a política não é local de tratamento ao autismo e, muito menos, de emprego e esquemas. É de passagem e contributo.

Precisamos de, pelo menos, duas forças a disputar 2019 e o PSD-M não parece minimamente interessado no povo que vota. Já Passos dizia, “não governo para eleições”, quão parecido é o PSD-M. Se não acordarem, poderão ter de encarar um novo partido que saiba interpretar a social-democracia e que deixe o PSD-M para os “piquenos” brincarem.

O PSD-M tem um problema de comunicação? Não! Tem gente a falar mas não tem mensagem que vingue. O PSD-M tem Opinion Makers? Não! Só tem abana-cabeças a replicar a leitura oficial porque matou a selecção natural que garante massa crítica e uma mensagem séria. O voto confere o poder. O poder não confere a razão, só o expediente. A razão será sempre do povo.

Carlos Vares

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