Bienvenidos a Cuba

Matar mérito é fatal. Um partido charneira assim é um atentado ao povo. Acabe-se a institucionalização do Trumpismo na região onde já vagueiam Barbies a mais e políticos a menos

23 Set 2017 / 02:00 H.

Somos Cuba, vencidos pela fórmula “fora com os chineses” e eles lá estão no CEMA. Os cubanos processaram-nos, somos produto de uma empresa de comunicação. Enquanto povo normalizado, estamos capazes de dormitar junto à Assembleia de Voto para irromper histéricos com a abertura da porta a fim de “comprar” a última versão do iFuck.

No dicionário do Jardinismo, cubano é aquele que não tem a Madeira no coração. O partido que promoveu a ideia é agora refém de uma empresa de comunicação “cubana” (ECC) que ofende e aldraba os madeirenses. Diria, tal como Herman José sobre os programas infantis, “caramba, são putos mas não atrasados mentais”. Neste contexto, pergunta-se a Jardim, pode um madeirense ser cubano? Tínhamos os lunáticos seguidores de Passos na Madeira mas agora temos uma ECC a soldo, para dividir madeirenses e ganhar eleições a fracos candidatos. Em “bom” português, de outros tempos, o “virtuoso” Ramos diria “desanda com o Zé Vilão e enfia-lhe o Trombone no rabo, joga os cubanos pelas escadas e, esses gajos do dedo no clitóris p’ra rua falar com povo. Huum, huum, falei fino?” Quão má é a nova casta do parecer e transparecer ao ponto de ficcionarmos isto! Recorre a queixas anónimas ao MP para fabricar notícias, “aperfeiçoa” currículos, usa abusivamente os nomes e fotos com militantes credíveis para angariar votos, dispõe dos mesmos jornalistas para tratar da política e mais peças nos informativos, abalroa concentrações e instituições para emoldurar com povo na ausência de mobilização. Só falta a “concertação” de sondagens para criar onda. Nesta semana houve a cereja no topo do bolo, na actualidade informativa estava a TV 7 Dias, a candidata sai a cortar o bolo de aniversário da boda do ex-presidente. Se casou em 1948 e está no bolo o número 48, dá 2016 e estamos na santa era do Senhor de 2017. A candidata já pulou de lado? Que bela sondagem.

Quem queimou delfins e gerações qualificadas para a política se soçobra com esta até parece ironia, como a dos chineses e a dos cubanos. Matar mérito é fatal. Um partido charneira assim é um atentado ao povo. Acabe-se a institucionalização do Trumpismo na região onde já vagueiam Barbies a mais e políticos a menos. Sem qualquer machismo, pelo contrário, pela valorização do papel da mulher na política, culta e apta, numa paridade que rejeita ser troféu de falo decadente na crise da idade e que baixa o nível da discussão política à razão de um Diesel & Bloom, autor do “bebida e mulheres”, um pecador por defeito. Este ambiente da porca política pode dar jeito para afugentar os melhores mas diz bem do carácter e qualidade de alguns líderes.

Quando no horizonte se projectam astutamente alianças dos que dependem do poder, eis uma questão pertinente, os militantes de qualquer partido são trapos nas mãos de líderes maquiavélicos da porca política? “Lutam” uns contra os outros defendendo acerrimamente posições, incompatibilizam-se e depois são jogados e ostracizados pelos generais que se põem a jeito de nunca perder o pé no poder com uniões de facto de tremenda lata? Povo e militantes, abram os olhos. Escolham gente decente. Quem trai não é futuro.

A campanha suja prova em quem não votar, pelos métodos quando ainda são apenas candidatos.

Não temos nesta Cuba da placa africana divisões de ordem racial, étnica, religiosa, cultural, etc, porque haveríamos de pôr madeirenses contra madeirenses em clivagens da porca política onde as discussões nem são ideológicas, mas basicamente entre aqueles que querem para si e os que querem para todos? Estão a situar a política no mesmo problema do futebol, umas claques com mania de más afugentam as famílias, depois têm de oferecem bilhetes para o jogo parecer eclético e uma escola de virtudes. Aquela do clube com 107 anos a promover uma superestrela secreta na festa, uma candidata, é não respeitar os encarregados de educação e sócios, uma prova da promiscuidade total do futebol com a política.

Somos Cuba, sem furacões mas com “furacães” lutando pelo privilégio do mesmo osso. Os que instituem o apartheid político pelos pequeninos e exclusivos “os nossos”, incapazes de perceber a dimensão da política e a sua finalidade neste Partido Sem Discernimento. Vale a pena modificar a essência deste povo que nos piores momentos venceu, unido, catástrofes e infortúnios com solidariedade?

Espero que este Povo Superior, com medo de perder a pobreza, não se satisfaça com a garrafa de vinho, cabaz de compras, voltinha de autocarro e de catamaran, jantar frio, pelo momento de glória junto do Jet7 durante um mês. Precisamos de um povo emancipado, de eleitores lúcidos que não se vendem por bugigangas para entregar 4 anos de mando à porca política. Chega de fingir e aspergir suspeitas para esconder pecados capitais. Quando atingirmos uma sociedade de ofensa, “brincamos” à porrada? Estamos num exemplo perfeito do porquê da humanidade cometer os mesmos erros ciclicamente. Não ligam nem valorizam a história e o legado. O povo eleitor tem de meter ordem na porca política, nunca será convidado para o banquete.

Alinhados pelo “depois de mim o caos”, estamos na exacta falha tectónica da congénere nacional que separa o interesse dos cidadãos dos dependentes da política. Ao colocar madeirenses contra madeirenses e até militantes contra militantes, o Partido Sem Discernimento, por ligações tenebrosas, seduz pela estupidez da graçola fácil para apanhar incautos. A política não pode deixar de ter uma solução para a sociedade, o poder por consanguinidade está a produzir deficientes e deficiências numa necessidade que tolda as cabeças. A política não é profissão, por isso conjecturam para se salvar com a infernal máquina erário-dependente.

Que bordillo! Me voy a fumar un Puro de “Patria o muerte! “Los hombres mueren, el Partido es inmortal”. “El que necesita las armas es el imperialismo, porque está huérfano de ideas”. “Condename, no importa. La historia me absolverá”. E eu nem revolucionário sou! Como diria António Fontes, o “anti-Fidel” nas Autárquicas de 2013, também agora, “vote com a horta no lugar”, o expositor de legumes é o mesmo. Vamos perder o medo, tal como na República, a única coisa que pode acontecer de errado é nos correr bem melhor, longe destes caminhos únicos trilhados só para o poder. Acorde, a ECC a soldo, que não tem a Madeira no coração, está a instituir o pior do que há aqui e no mundo no cantinho do céu.

Carlos Vares

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