Abreu dá cá o meu

O regional porreirismo deve acabar, cada um faria o seu trabalho bem e no fim venceria o mérito e não a trapaça

11 Nov 2017 / 02:00 H.

Imbuídos de espírito “peste grisalha”, num tempo considerado seu e não de todos, os mentores da Reconversão (ex-Renovação) que só se preocuparam em obter fidelidade canina em vez de vocação para governar foram à “parede”. Na avidez por emprego e poder, a Reconversão recebeu por lição que para governar não se leva amigos, Jet7, vendidos, jogadores, incompetentes e idiotas mas valências e valores. Não há outra maneira de governar com responsabilidade para 254.000 madeirenses.

Como consequência, está plasmado no artigo 2 (Presidência do Governo) e 3 (Vice-Presidência do Governo) do Decreto Regulamentar Regional n.º 13/2017/M, de 7 de Novembro, a organização e funcionamento do XII Governo Regional da Madeira, resultado de dois anos e meio de governação subjugada a interesses, numa privatização pós democrática, quando acabamos de sair de umas eleições onde muito se tentou comprar para se acabar comprado.

A infestação do PSD-M que atingiu todo o Governo Regional ainda vai no adro, com a copiosa derrota alguns perceberam que os cargos políticos não dão vínculo à Administração Pública. Se o Jornal Oficial promovia o humor negro, esperem pelo breu que resultará dos concursos finamente recortados que consumarão a “política de emprego” deste Governo que só baixa por emigração. O povo da Madeira será outra vez sustento de uma nova vaga de inúteis que esmagam com má fama outros funcionários públicos de excelente qualidade, tudo isto no requinte de um melhor vencimento, em ambiente aprazível e sem a falta de condições que muitos sentem. Não bastando, ainda se tornam PTC, Políticos Trem de Cozinha, pelo multi-tacho.

A animação prossegue com meia bola e força ao abrigo do artigo 2, um presidente com tempo entretém-se a mandar bocas em visitas ocupacionais sem trabalho feito. Uma forma de exorcizar o “Jardim” zoológico que está a engolir enquanto a “sombra” une os cacos que a ora caricatura das internas provocou, para um PSD-M competitivo em 2019. Ainda assim, a sombra não navega por vagas procelosas e o caos incrementa mais injustiças profissionais, mais revoltas pessoais e novos atónitos pela falta de mãos calosas. Valha-nos a era de Vices titânicos que, de lados opostos, e desde a sala das máquinas, observam e rezam para que os comandantes não rumem ao iceberg.

Culpas? Não é exclusivo dos líderes do PSD-M em suporte de vida. Depois do pró-forma dos aparelhos partidários, onde os militantes se encolhem e deixam andar em busca da graça que lhes pode garantir uma benesse, os nossos políticos/ governantes não estão habituados a ser verdadeiramente escrutinados pela opinião pública e pelos órgãos de informação. O regional porreirismo deve acabar, cada um faria o seu trabalho bem e no fim venceria o mérito e não a trapaça.

É momento para um acto de contrição da comunicação social, tamanha barraca na governação só significa que fizeram como muitos militantes e a ALR, deixa andar. Quando o tempo é de formação de opinião, surgem jornalistas com perguntas simpáticas ou entrevistas macias em ambiente de salmoura, deixando escapar o fulcral para esclarecimento e análise do agente político pelas massas. Há jornalistas que gostam de estar em graça e esquecem-se da sua responsabilidade e deontologia quando se decide o futuro colectivo. Alguns são a garantia do sucesso de quem responde para um dia serem lembrados no “el dorado” enquanto assessores de imprensa ou nomeados para um tacho. Sem escrutínio, o jornalismo subserviente ou intermitente fomenta maus políticos também pelo que se escreve aqui e só desce a guarda quando chamado para outras tarefas, enquanto prémio à bajulação, à omissão, ao calculismo, ao formato conveniente e ao elogio gratuito acompanhado pelo jeito de descredibilizar quem fala a verdade. As diversas ditaduras da nossa região são concedidas e não conquistadas pelos prevaricadores, aos jornalistas também cabe zelar pela saúde da democracia nos intervalos das eleições. É nesta constante “impunidade” sem escrutínio que temos cada vez piores políticos habituados a “dar a volta”. O jornalismo à la carte é como a caridade, dá palco a políticos como a tias e tios de bem.

A ira que muitas vezes se levanta contra o Diário quiçá seja indicador do incómodo da exigência, da idoneidade e da observação pertinente, por muito que isto custe a alguns. O erro do Diário, não raras vezes, é de perante o pandemónio total gerado pelo colapso moral da política tentar ser moderador de exageros, destrinçando o que é foguetório do que é informação. A completa politização do ambiente regional gera atritos que atentam à paz social, fomentando o descrédito quase total da classe política. O que fazer? Atirar a sociedade ao lume da Inquisição? Felizmente e por enquanto, no Diário não se toma conta da administração para colocar o “comentador” conveniente, ignorando os (e)leitores para insistir no erro. É lembrar o que acaba de suceder ao governo eleito desta região quando houver arrufes.

Os jornalistas não se sentem desrespeitados por permitir atentados à sua inteligência? Não lhes ferve os bofes quando observam a falta de elevação nos debates onde se abalroam ideias e tempos de intervenção por parte de medíocres investidos de políticos? Que raio de entrevistas são aquelas onde a sobreposição de vozes são ruído e a brejeirice segue em crescendo para o zapping? Não será um formato que leva um mau político a vencer com graçolas e interrupções para não permitir que a mensagem seja divulgada de forma séria? A comunicação que caiu a pique até chegar aos vis cartoons e fotos ao estilo rede social não é uma substituição do programa eleitoral? Chegaremos à política em banda desenhada? É interessante observar como quase todo o eleitorado se apercebe destas tentativas de situar o momento no não debate para evitar risco, de martelar a realidade, executar um branqueamento ou empolar um candidato. Políticos e alguns jornalistas ficam convencidos que lhes corre bem o porreirismo sem polémicas, como se fosse esse o objectivo mas, a maioria do povo topa.

Se na Madeira houvesse mérito em competição, os resultados seriam diferentes e justos. A ilha mata-se alegremente, demográfica, económica e financeiramente. A liberdade regenera, a concentração elimina. O madeirense está paulatinamente a permitir a sua escravidão com um governo já refém.

Carlos Vares

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