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Turquia pede à Alemanha para extraditar ex-líder das milícias curdas na Síria

Foto REUTERS/Omar Sanadiki
Foto REUTERS/Omar Sanadiki

A Turquia pediu à Alemanha a extradição do ex-líder do braço político das milícias curdas na Síria, Salih Muslim, presente no sábado numa manifestação em Berlim de protesto contra a ofensiva turca a Afrine, comunicou a agência Anadolu.

O pedido de detenção e extradição de Muslim para a Turquia, remetido às autoridades alemãs na sexta-feira, foi confirmado hoje pelo primeiro-ministro turco, Bekir Bozdag, que recebeu informação de que o sírio de origem curda teria estado na capital alemã.

Salih Muslim, líder até setembro do ano passado do Partido da União Democrática (PYD), principal força política dos curdos da Síria e braço político da milícia Unidades de Proteção do Povo (YPG), foi detido em Praga, capital da República Checa, em 25 de fevereiro.

O ex-dirigente de YPG, considerado um grupo terrorista pela Turquia, acabou por ser libertado provisoriamente, depois de ter requerido permanecer em território da União Europeia, disponível para audições no âmbito do processo de extradição.

Em fevereiro, a Turquia colocou Muslim no topo da lista do mais procurados e ofereceu uma recompensa de um milhão de dólares (cerca de 811,5 mil euros) pela sua captura.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, visita Berlim na terça-feira e afirmou que o assunto vai ser abordado no encontro com a sua homóloga.

Cavusoglu disse desconhecer se o ex-dirigente ainda está na Alemanha, mas disse que a Turquia não desiste da detenção e extradição.

Um porta-voz do ministério do Interior da Alemanha recusou comentar o caso de Muslim, limitando-se a sublinhar que “todos os aspetos que precisam ser considerados em tais situações” serão analisados pelas autoridades alemãs.

“Em termos gerais, devemos receber esse pedido de extradição, seja de forma bilateral, seja através da Interpol. Então, deve haver um procedimento de exame muito diligente”, disse Johannes Dimroth, em Berlim.

A Alemanha opôs-se no passado ao uso pela Turquia de mandados da Interpol para levar outros países a deter os críticos de Ancara.

Dias depois de ter sido detido em Praga, capital da República Checa, Ancara pediu formalmente à República Checa a extradição do ex-líder do braço político de milícias curdas contra as quais a Turquia luta.

A ordem de detenção liga Salih Muslim a um atentado à bomba ocorrido em fevereiro de 2016, em Ancara, e atribuído à guerrilha curda do Partido de Trabalhadores do Curdistão (PKK), proscrito na Turquia e ao qual o PYD está ligado, segundo o Governo turco.

“Queremos garantir a extradição de Muslim para a Turquia”, disse Bozdag, numa entrevista ao canal turco NTV.