Nenhum emigrante será convidado a sair do Reino Unido

17 Nov 2017 / 17:08 H.

O conselheiro da embaixada britânica em Lisboa garantiu hoje que nenhum emigrante será convidado a sair do Reino Unido e todo o processo pós-’Brexit’ será desburocratizado para acelerar a manutenção dos cidadãos europeus no país.

Peter Abbott, que falava numa sessão de avaliação do Projeto Interpart, organizado pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses -- Intersindical (CGTP-IN), em conjunto com as homólogas do Reino Unido (TUC) e da Polónia (OZZ), e que decorre hoje num hotel de Lisboa, afirmou acreditar que as negociações sobre a questão migratória com a União Europeia (UE) vão chegar a bom porto e “muito em breve”.

“Estamos muito próximos de um acordo e queremos que os cidadãos comunitários fiquem no Reino Unido. O acordo vai garantir todos os direitos dos trabalhadores, pelo que nenhum emigrante será convidado a sair. Estamos a desburocratizar o processo”, sublinhou Abbott.

O diplomata britânico detalhou que as autoridades londrinas, após a saída formal do Reino Unido da UE, vão estender por dois anos a elaboração dos processos, salientando a importância da comunidade portuguesa na economia do país.

“O Governo britânico está a tratar a questão dos direitos dos cidadãos como uma das principais prioridades nas negociações em curso com UE e estamos muito perto de chegar a um acordo. Queremos proteger o mais possível os direitos das comunidades migrantes no Reino Unido”, salientou Abbott, já em declarações aos jornalistas.

O diplomata britânico destacou também que o Governo de Londres já anunciou que vai desburocratizar o processo de obtenção de visto de residência e de trabalho para os cidadãos da comunidade e, em particular, para os portugueses.

Sobre o optimismo da “mensagem” de Abbott, e em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, presente na sessão, considerou-o “positivo”, embora tenha salientado que uma coisa são as palavras outras os actos.

“É necessário ter um conhecimento concreto, objectivo e formal dessas condições, o que ainda não temos. É necessário conhecê-las, mas a mensagem é positiva” por três ordens de razões, considerou José Luís Carneiro.

“Reconhece a importância das diferentes comunidades migrantes que residem e trabalham no Reino Unido, que essas condições põem em pé de igualdade os trabalhadores altamente qualificados e os restantes trabalhadores dos diferentes sectores da actividade económica -- restauração, agricultura e indústria”, disse.

“Em terceiro lugar, reconhece que o Governo britânico está a estudar um conjunto de medidas tendo em vista salvaguardar os direitos fundamentais dos trabalhadores e as boas condições de entrada, de residência e de trabalho no Reino Unido”, sublinhou.

Segundo os dados oficiais citados por José Luís Carneiro, estão inscritos nos serviços consulares portugueses no Reino Unidos e nos serviços de segurança social britânicos cerca de 232 mil cidadãos, estimando-se, porém, que haja uma percentagem “elevada” de não inscritos.