Milhares de pessoas aplaudem início das cerimónias fúnebres de Winnie Mandela
Dezenas de milhares de pessoas aplaudiram hoje os restos mortais de Winnie Madikizela-Mandela, no Estádio Orlando, no bairro do Soweto, em Joanesburgo, onde decorrem as cerimónias fúnebres do popular, mas controverso, rosto anti-apartheid.
Esta cerimónia conclui dez dias de luto nacional decretado em memória daquela que foi apelidada de “rocha”, “Mãe da Nação”, “libertadora” ou “heroína”.
Winnie Mandela morreu a 02 de abril, aos 81 anos.
Acompanhado por motociclistas, o caixão de “Mama Winnie”, coberto com a bandeira da África do Sul, deixou hoje de manhã a sua casa no Soweto, o subúrbio pobre de Joanesburgo.
Ao chegar ao Estádio Orlando, a alguns quilómetros de distância, os restos mortais foram recebidos por cerca de 20.000 pessoas de luto que, com os punhos levantados, cantaram uma canção de luta “Não há ninguém como Winnie Mandela”.
“A Mãe lutou pela nossa liberdade, é essencial prestar-lhe homenagem”, disse à AFP Mufunwa Muhadi, 31 anos.
A morte de Madikizela-Mandela desencadeou uma onda de comoção na África do Sul sobre o legado de uma das mais importantes opositoras contra a discriminação racial, mas que também foi marcada pelo escândalo.
Durante os 27 anos de prisão do seu marido, Nelson Mandela, Winnie Mandela ajudou a manter na ordem do dia a luta do líder político e as injustiças do sistema de ‘apartheid’, com a o seu rosto e a sua voz a tornarem-se um sinónimo com a luta contra a discriminação racial.
Numa campanha nas redes sociais, muitas mulheres jovens colocaram fotografias a usar ‘doeks’, o lenço tradicional que Madikizela-Mandela usava frequentemente à volta da cabeça.
Vários líderes estrangeiros, incluindo os chefes de Estado do Congo, Denis Sassou Nguesso, e da Namíbia, Hage Geingob, são esperados na cerimónia.
Personalidades como Jesse Jackson, um emblemático ativista dos direitos civis nos Estados Unidos, também estarão presentes no funeral.
Após o funeral oficial, Winnie Mandela deverá ser enterrada no cemitério de Fourways, uma área residencial de Joanesburgo, ao lado de uma de suas netas, que morreu em 2010.