Escola Portuguesa de Macau festeja 20 anos de adaptação a realidade em mudança

Macau /
16 Abr 2018 / 05:42 H.

Vinte e quatro nacionalidades representadas em 577 alunos escolheram a Escola Portuguesa de Macau (EPM), cujo projeto educativo alia um desenho curricular português ao ensino do mandarim, numa adaptação a uma realidade em mudança.

Prestes a celebrar o 20.º aniversário, a 18 de abril, Manuel Peres Machado considerou que a EPM “cresceu muito, está muito bem integrada no meio, é reconhecida como uma escola de qualidade, e a melhor prova disso é a procura por outras comunidades residentes em Macau deste projeto educativo”.

“Numa escola não há imutabilidade, o crescimento não acabou porque a realidade de hoje é diferente da realidade de amanhã e a escola tem que saber adaptar-se, estar atenta e refletir sobre essa realidade dos alunos, dos pais e do meio”, afirmou.

A EPM tem, por isso, reforçado o ensino do português com apoios significativos.

“O número de alunos cuja língua materna não é a portuguesa tem vindo a crescer nos últimos cinco anos”, sobretudo no primeiro ano do primeiro ciclo, que tem um total de 236 alunos, disse o responsável.

Esta realidade levou à criação de um ano preparatório, no primeiro ciclo, para os alunos que não dominam o português. Este ano letivo, entraram no primeiro ano 60 alunos, 20 foram para o ano preparatório de português e dos 40 restantes “muitos não dominam bem o português e precisam de apoio suplementar”, indicou.

Além do ano preparatório e dos vários apoios ao longo do percurso escolar, a EPM desenvolve um projeto, desde 2007/2008, de ensino do português como língua estrangeira a jovens de outras escolas secundárias chinesas, em regime extra curricular e também um curso de verão.

“No início do ano, tínhamos 170 alunos [no curso de português como língua estrangeira], mas no primeiro ano há sempre algumas desistências. O curso decorre em horário extra curricular, o que é um pouco violento. No segundo e no terceiro ano, as desistências são mais residuais”, explicou.

A par do reforço da língua portuguesa, a EPM oferece, desde 2009, o ensino do mandarim, logo a partir do primeiro ciclo.

Manuel Peres Machado disse que 99% dos alunos do primeiro ciclo escolhem a via de ensino com frequência obrigatória da língua chinesa. “No secundário há uma diminuição significativa [da frequência do mandarim] que atribuo à preparação das disciplinas para os exames nacionais”.

Depois de portugueses (430 alunos) e chineses (74), são os brasileiros, angolanos, cabo-verdianos, russos e filipinos que procuram a EPM. “Estamos com 577 e para o ano tudo aponta para que cheguemos aos 600 alunos”.

“Temos mais alunos chineses, somos recetores de parte dos alunos do jardim de infância D.José da Costa Nunes, onde a realidade também se alterou, sendo mais procurado por alunos de outras nacionalidades. Antigamente, eram só quase crianças portuguesas”, afirmou.

“A EPM tem sempre presente os valores humanistas da nossa cultura. É fundamental e tem sido sempre assegurada a sua preservação e transmissão de valores de tolerância, de respeito pelo outro e pela diferença”, sublinhou o presidente da direção, considerando ser “extremamente enriquecedor para as crianças” a presença de diferentes nacionalidades na escola.

Na matriz curricular portuguesa da EPM, em tudo idêntico ao desenho curricular das escolas portuguesas, foram feitas adaptações. “No estudo do meio, história e geografia são lecionados conteúdos relacionados com Macau, juntamente com os conteúdos de Portugal”, disse, frisando que em relação às outras disciplinas são seguidos os programas portugueses, porque os alunos fazem os exames nacionais de Portugal.

“Atualmente 50% dos alunos que terminam o 12.º ano vão para Portugal, dos outros 50% uma parte fica em Macau, já com uma oferta interessante a nível de ensino superior, e outra vai para o estrangeiro, sobretudo para Austrália, Inglaterra, Suíça, Canadá e Hong Kong”.

“Toda a comunidade educativa dá grande importância ao ambiente em que vive, de modo a proporcionar aos alunos oportunidades”, considerou.

“As posições nos ‘rankings’ são boas e simpáticas, mas o mais importante é o crescimento dos alunos, temos taxas de retenção muito pequenas, a progressao é elevada e todos têm feito bons percursos universitários. Isso é que é o sucesso”, concluiu.

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