Chefe da polícia regional sai em liberdade depois de ouvido por sedição

06 Out 2017 / 12:58 H.

O chefe da polícia da Catalunha saiu hoje da Audiência Nacional em Madrid sem que o tribunal tenha pedido qualquer medida cautelar, ficando em liberdade depois de ser ouvido na qualidade de investigado num delito de sedição numa manifestação popular contra a Guardia Civil.

Josep Lluís Trapero, que é uma das quatro pessoas que está a ser investigada neste caso de assédio à Guardia Civil numa operação de 20 de Setembro, abandonou o tribunal no meio de aplausos de alguns separatistas presentes e também assobios de outras pessoas.

Segundo fontes judiciais citadas pela agência espanhola EFE, o procurador não pediu a prisão nem qualquer outra medida cautelar para o chefe dos Mossos d’Esquadra (polícia regional catalã) depois de estar cerca de uma hora perante uma juíza.

O mesmo aconteceu com Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, presidentes de duas poderosas associações separatistas, a Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Omnium Cultural e com Teresa Laplana, uma outra responsável dessa polícia, que prestou declarações também esta manhã, mas por videoconferência, por razões médicas.

O presidente da ANC sublinhou à saída do tribunal que o seu movimento não reconhece “a competência deste tribunal” e estimou que não tinha “cometido qualquer crime”.

O magistério público acusa os quatro de não terem evitado, e poderem mesmo ter sido responsáveis, por atos de violência de populares contra a Policia Nacional em 20 de Setembro último.

Os manifestantes, encorajados pela ANC e Omnium Cultural, bloquearam agentes da Guardia Civil nos seus edifícios durante várias horas e causaram estragos nas suas viaturas, factos que podem levar a penas de prisão até 15 anos.

A Audiência Nacional é um tribunal espanhol que trata casos mais graves, entre eles os relacionados com delitos contra a Coroa ou os membros do Governo, assim como o grande crime organizado.

A Espanha está a viver uma das suas maiores crises políticas de sempre depois da transição democrática iniciada em 1977.

O governo regional da Catalunha (Generalitat) anunciou na madrugada de segunda-feira passada que 90% dos catalães votaram a favor da independência no referendo do dia anterior.

A consulta popular foi convocada pela Generalitat, dominada pelos separatistas, tendo o Estado espanhol, nomeadamente o Tribunal Constitucional, declarado que a consulta era ilegal.

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