Centenas de suspeitos de crimes de guerra nazis vão continuar em liberdade

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27 Jan 2017 / 04:43 H.

Centenas ou mesmo milhares de suspeitos de crimes de guerra nazis irão continuar em liberdade, afirmou ontem um dos mais reputados especialistas mundiais nesta matéria, na véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

O historiador judeu americano Efraim Zuroff afirmou acreditar que existirá um aumento de condenações nos próximos anos, apesar da maioria dos suspeitos terem idades na casa dos noventa anos.

No entanto, o especialista admitiu que muitos deles não irão provavelmente enfrentar a justiça, uma vez que vários países não estão dispostos a avançar com tais processos.

“Ainda existem centenas, talvez milhares, mas o problema é quantos deles serão levados à justiça?”, disse Efraim Zuroff, também conhecido como “caçador de nazis”, num evento a propósito do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalado na sexta-feira.

Desde 2001, um total de 104 nazis foram condenados pela sua intervenção no Holocausto, o genocídio de cerca de seis milhões de judeus pelo regime nazi, segundo os números apresentados pelo especialista do Centro Simon Wiesenthal, com sede em Los Angeles (Estados Unidos).

As condenações têm vindo a diminuir anualmente e, entre abril de 2015 e março de 2016, foi registada apenas uma. No mesmo período, dois processos foram arquivados.

Em junho passado, um antigo guarda do campo de concentração de Auschwitz, atualmente com 94 anos, foi condenado na Alemanha.

Em declarações hoje à agência noticiosa francesa AFP, Efraim Zuroff afirmou que espera que o número de condenações aumente nos próximos anos.

“Existirá um pico devido às mudanças na política jurídica alemã”, referiu o “caçador de nazis”.

Em 2011, as autoridades alemãs introduziram alterações jurídicas que permitem julgar aqueles que trabalharam para os nazis nos campos de concentração, independentemente do seu envolvimento nas mortes registadas nesses locais. Tal medida permitiu realizar novos julgamentos a homens e a mulheres atualmente nonagenários.

O especialista saudou o compromisso alemão de processar o maior número possível de suspeitos, mas lamentou a posição assumida por outros países.

“Num país como a Ucrânia, por exemplo, há um grande número de ucranianos que estiveram envolvidos”, disse.

“Nunca iniciaram uma única investigação”, frisou Zuroff, mencionando também o caso da Noruega e da Suécia, onde devido a limitações estatutárias os suspeitos de crimes de guerra nazis não podem ser processados.

“Na Noruega, muitas pessoas voluntariaram-se para as SS (”Schutzstaffel” -- tropa de proteção), foram enviadas para leste e estiveram envolvidas em crimes contra a humanidade na Ucrânia”, acrescentou.

O especialista referiu que existe uma corrida contra o tempo para condenar estas pessoas antes da sua morte.

“É um caminhar para o fim por razões óbvias”, disse Efraim Zuroff, mencionando uma “solução biológica”.

Questionado sobre como o mundo vai recordar o seu trabalho de levar nazis à justiça, Zuroff referiu que “cada pessoa apresentada à justiça é uma vitória”.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi criado por iniciativa da ONU em dezembro de 2005.

O dia de 27 de janeiro foi escolhido devido ao seu significado especial: nesse dia, em 1945, teve lugar a libertação dos campos de concentração nazis de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas.

Efraim Zuroff abordou tema sobre os crimes nazis

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