Canção anti-Theresa May é sucesso no Reino Unido apesar da recusa das rádios
Uma canção que acusa a primeira-ministra britânica em funções e candidata conservadora nas eleições legislativas antecipadas, Theresa May, de ser uma mentirosa está a ser um sucesso no Reino Unido, apesar de várias rádios recusarem transmitir a música.
“É uma mentirosa, mentirosa, não podemos confiar nela, não, não, não, não”, canta o grupo londrino Captain Ska, cuja canção está a marcar os últimos dias da campanha eleitoral para as legislativas de 08 de junho.
Com mais de um milhão de visualizações no ‘site’ de partilha de vídeos YouTube e mais de 30.000 descarregamentos (’downloads’) em cinco dias, a música intitulada “Liar Liar” (”Mentirosa, Mentirosa”, em português) é neste momento a terceira música mais vendida no Reino Unido e tem fortes probabilidades de subir para “número um” na sexta-feira, segundo as tabelas de vendas divulgadas hoje.
A música contém excertos de discursos de Theresa May, nomeadamente uma parte em que a política conservadora afirmou querer “um país que não funciona apenas para os mais privilegiados” ou que não ia convocar eleições antecipadas, algo que acabaria por anunciar a 18 de abril deste ano.
“O sucesso da nossa canção mostra a que ponto as pessoas estão descontentes com este governo de ricos e para ricos”, escreveu o grupo oriundo de Londres na sua página na rede social Facebook.
As receitas dos ‘downloads’ da música serão doadas a bancos alimentares e ao movimento ‘The People’s Assembly Against Austerity’ (Assembleia Popular contra a Austeridade, em português).
“Isto mostra como a indústria musical ficou apolítica”, declarou Jake Painter, um dos membros do grupo, citado pela agência noticiosa francesa AFP.
Como outras grandes rádios britânicas, a emissora estatal BBC recusa-se a transmitir a canção.
“O nosso código de conduta obriga-nos a ser imparciais e o Reino Unido está atualmente num período eleitoral”, disse um porta-voz da BBC.
“O facto da BBC e de outras emissoras censurarem a nossa música significa que as pessoas não podem expressar as suas opiniões políticas através da cultura popular”, lamentou Jake Painter, num comunicado.