Gabinete de Investigação analisa “ocorrência de conflito de tráfego” no aeroporto da Madeira

Organismo independente acredita que distância, entre a trajectória do avião da TAP e o da avioneta, era suficiente para que não houvesse risco de colisão

09 Out 2018 / 15:36 H.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) classifica de “ocorrência de conflito de tráfego” a manobra de divergência efectuada pelo avião comercial da TAP durante a aterragem, para evitar a colisão contra uma avioneta que se encontrava na pista e que se preparava para descolar, na tarde de domingo, no Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo.

O GPIAAF confirmou ao DIÁRIO que foi reportado àquele organismo uma “ocorrência de conflito de tráfego no aeroporto do Funchal, cerca das 17 horas, envolvendo o voo TP 1687 em fase de aproximação e um outro voo de uma aeronave de matricula N711TL acabado de descolar”.

O relatório do comandante da TAP já seguiu para o GPIAAF que, de acordo com os elementos que foram reportados até ao dia de ontem, considera que a colisão não foi iminente, tendo em conta a distância entre a trajectória que o avião comercial da TAP adoptou para evitar o impacto e a que foi seguida pela avioneta após descolar da pista.

“De acordo com o reporte recebido, não houve quebra da separação (distância) mínima aplicável entre aeronaves”, confirma o GPIAAF ao DIÁRIO. Por essa razão, o organismo independente ao qual compete a investigação de incidentes no espaço aéreo entende que “à partida, não há qualquer motivo para investigação do incidente”.

O Gabinete crê que neste caso “os sistemas e procedimentos de segurança implementados funcionaram devidamente” mas não dá o processo por encerrado, na medida em que faltam elementos cruciais para a análise, estando neste momento em fase de “recolha de informação adicional antes de tomar a decisão da sequência a dar à análise da ocorrência em apreço”.

Conforme o DIÁRIO noticiou, o comandante do voo TP-1687, que cumpria a ligação Lisboa-Funchal e tinha chegada prevista para as 18h25 à Madeira, estava a efectuar a descida para aterrar no sentido Leste-Oeste (de Machico para Santa Cruz) no Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo, quando o co-piloto foi surpreendido por uma outra aeronave a descolar da pista que não tinha sido reportada pela torre de controlo, facto que levou o piloto a providenciar uma manobra de divergência, corrigindo a trajectória, fazendo o aparelho subir até aos 3 mil pés e suspendendo a trajectória.

Os passageiros ficaram em sobressalto dada a imprevisibilidade da manobra, tendo sido informados pelo comandante do avião da TAP que teve de abortar a aterragem de modo evitar a colisão com uma aeronave ligeira que se encontrava naquele momento na pista e cuja presença não foi sido reportada pela torre de controlo. Por isso, teria de aguardar uns breves minutos até que estivessem reunidas todas as condições para aterrar em segurança.

Da parte da NAV Portugal, a quem compete a segurança dos serviços de navegação através dos controladores aéreos, é afastada qualquer hipótese desta “ocorrência de conflito de tráfego” ter colocado em causa a segurança de passageiros e tripulantes do avião da companhia aérea TAP.

“Nenhum! Não houve nenhum risco para a segurança dos passageiros”, respondeu ao DIÁRIO de forma peremptória.

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