Emigrantes da Venezuela estão a regressar, assume presidente do governo da Madeira

19 Abr 2017 / 15:34 H.

O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, disse hoje a situação de radicalização na Venezuela não pode durar “muito tempo”, admitindo que se regista um regresso de muitos dos emigrantes naquele país.

“A Venezuela é um grande país. Está a viver neste momento uma situação política muito complicada e o que esperamos é que este processo de radicalização se atenue o mais rapidamente possível, porque não é possível manter esta situação por muito tempo”, afirmou o governante madeirense, em entrevista à agência Lusa na altura em que cumpre dois anos de mandato à frente do executivo da Madeira.

O chefe do governo insular admitiu que está a registar-se um regresso de emigrantes, uma situação que considerou normal neste tipo de contextos.

“Estamos a apoiar e alguns deles vêm para a Madeira, há uma comunidade já muito grande em Miami, na Colômbia”, referiu.

Miguel Albuquerque referiu que o Sistema Regional de Saúde da Madeira tem registado “um aumento quer dos tratamentos dos emigrantes, quer no consumo dos medicamentos”.

Também mencionou que se verificou “uma afluência muito grande de pessoas da Venezuela que, chegando à Madeira com dificuldades, inscrevem-se no desemprego”.

O responsável admitiu que devido à possibilidade de um cenário de guerra civil, um regresso em massa de emigrantes “não pode deixar de ser equacionado”, complementando:” Mas acho que será muito difícil e continuo a ter fé que a situação vai-se resolver”.

O líder madeirense salientou que as autoridades regionais estão a acompanhar a situação, estando em contado com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e que o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus da Madeira, Sérgio Marques, esteve reunido com os diversos centros sociais naquele país.

“Estamos a tentar apoiar a nível de medicamentos e por via das instituições de solidariedade social”, vincou Miguel Albuquerque, sustentando que o “relacionamento relativamente ao Estado é complicado, uma vez que tendo uma comunidade emigrante muito grande não pode ter posições que depois tenham reflexo sobre a comunidade lá residente”.

O presidente do governo regional assegurou que a Madeira tem “um contacto permanente com a comunidade” na Venezuela, argumentando que “não há uma família madeirense que não tenha um residente” naquele país.

“As infraestruturas do país estão a sofrer imenso. A Venezuela é um país muito rico e que tem neste momento problemas de produtividade e de distribuição. Fazemos fé que as coisas vão melhorar”, concluiu.