“Confiámos nas pessoas mas fomos traídos”, diz António Castro
“Se dúvidas existissem ainda quanto à decisão unânime que foi tomada pelo movimento Mais Porto Santo no sentido de revogar a delegação de competências do presidente da Câmara do Porto Santo, ficaram desfeitas com a apresentação do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, relativo ao ano de 2017”. Ora, de acordo com o movimento, isto “comprova que o município Porto Santo é o único concelho do arquipélago da Madeira que aumentou o passivo face a 2016, em 12,1%, que é aquele que apresenta maior peso dos pagamentos da despesa com o pessoal, com um aumento de 7,5%, e que demora mais tempo a pagar a fornecedores, em quase 250 dias na média”.
“Ora, este resultado ruinoso é mais um sinal evidente de que o movimento de cidadãos independentes tinha de tomar medidas em defesa da população, apesar de ter dado o benefício da dúvida durante quase um ano à actual vereação, como forma de dar alguma estabilidade de governação, após quatro anos em que PS e PSD travaram uma guerra que penalizou duramente os porto-santenses”, diz numa nota de imprensa enviada à redacção.
“Como se já não bastasse a infrutífera liderança socialista durante quatro longos e horríveis anos”, refere que “os porto-santenses não perdoaram, aquando das últimas eleições autárquicas, o actual presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, por exigência do PSD-Madeira, que é quem manda na autarquia, tomou uma série de decisões que em nada protegeram os interesses de quem o elegeu e, pior, recusou sempre assumir uma auditoria e área financeira do município, que foi requerida pelo Mais Porto Santo em Outubro do ano passado, para apuramento da real situação económica da autarquia”.
“Confiámos nas pessoas mas fomos traídos. As nossas expectativas foram claramente defraudadas e tivemos de tomar uma decisão drástica para travarmos um rumo de acontecimentos nefastos para o Porto Santo. Nesse sentido, voltamos a dar entrada nos serviços da câmara, no dia 2 de Outubro, um ofício a solicitar a inclusão a proposta de revogação das três deliberações de competências da Câmara Municipal do Porto Santo, no seu presidente, ao nível do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação (RJUE), Contratação Pública e Administração Geral, que remontam a 12 de Dezembro do ano passado, para que seja votada na próxima reunião ordinária”, explica José António Castro, Vereador do Mais Porto Santo, que volta a garantir que esta decisão não irá tornar a autarquia ingovernável.
“Todas as propostas que entendermos como sendo legítimas e defensoras dos interesses dos porto-santenses terão sempre o nosso apoio. Se, por exemplo, na próxima reunião, o PSD apresentar uma proposta de apoio às famílias na aquisição de manuais e material escolar aos alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico, como já defendemos inúmeras vezes, ou a devolução total do IRS (5%) à população, o que também já exigimos, de certeza que não iremos votar contra”, esclarece José António Castro.
A um outro nível, o Mais Porto Santo critica e censura a incoerência que todos os deputados da Assembleia Legislativa da Madeira demonstraram durante a audição do presidente da TAP, Antonoaldo Neves.
“Para condenarem os preços discriminatórios que são praticados pela companhia aérea portuguesa entre a Madeira e o Continente os deputados colocaram-se todos em fila, reclamando os louros pelas perguntas mais audazes. Mas quanto à concorrência desleal promovida pelo Governo Regional no financiamento a um ferry deficitário entre o Funchal e Portimão, durante os três meses de Verão, que custou aos madeirenses apenas mais um euro do que uma ligação marítima entre a Madeira e o Porto Santo, ou sobre os preços vergonhosos que são exigidos pela Binter para a ligação entre a Madeira e o Porto Santo, nem uma palavra. É este tipo de discrepâncias que não entendemos e que apenas demonstram que os porto-santenses são cada vez mais madeirenses de segunda. Até quando?” questiona José António Castro.