Polícia fala em esquadras fechadas devido à greve, Governo diz desconhecer situação

Lisboa /
15 Ago 2019 / 15:19 H.

O ministro do Ambiente afirmou hoje desconhecer qualquer fecho de esquadras da PSP por falta de efectivos relacionado com o desvio de forças de segurança para conduzir camiões de combustível no âmbito da greve de motoristas.

“Não tenho nenhuma informação de que seja verdade”, disse João Pedro Matos Fernandes numa conferência, realizada hoje na sede da Entidade Nacional para o Sector Energético, em Lisboa.

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia denunciou a existência de pelo menos duas esquadras da PSP fechadas e agentes “a trabalhar 24 horas” devido à “falta de efetivos”, que se agravou com a greve dos motoristas.

A PSP “não esteve sequer a realizar transporte na manhã de hoje”, disse o ministro, admitindo que, “obviamente, a PSP está a acompanhar aquilo que é a necessidade de segurança, particularmente perto das refinarias”.

O ministro lembrou ainda que “os efectivos que existem no país têm de ser distribuídos de acordo com as necessidades e esta é uma necessidade evidente”.

Segundo avançou à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, “há esquadras encerradas”, pelo menos em Ermesinde, no Porto, e em Alhandra.

“A continuarmos [com a greve dos motoristas] vai haver mais, porque o efectivo não estica. Há uma sobrecarga preocupante. Consegue-se ir aguentando, mas não dá para aguentar sempre. O ritmo imposto [devido à paralisação dos motoristas e aos serviços exigidos à PSP] não dá para muitos dias”, explicou.

O responsável pediu ao Governo para “encontrar uma solução” para o problema, que vai piorar com o prolongamento da greve que está hoje no quarto dia, devido à “falta de efectivos” na PSP e à necessidade de “retirar elementos de outros locais e serviços” para acorrer a serviços relacionados com a paralisação.

Segundo o responsável, a PSP tem “20 mil polícias, mas com capacidade operacional não existirão mais de 14 mil”.

A greve em curso, que começou na segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objectivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A Antram assinou na quarta-feira à noite um acordo relativo ao contrato colectivo de trabalho com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), afecta à CGTP e que não participa na greve de motoristas.

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