Fogo em Vila de Rei e Mação dominado em 90%, evolução com “reservas” devido ao vento

22 Jul 2019 / 14:51 H.

O fogo que lavra desde sábado em Vila de Rei (Castelo Branco) e Mação (Santarém) mantém-se dominado em 90%, existindo ainda zonas “muito quentes”, sendo as próximas horas encaradas “com muita reserva”, disse hoje a protecção civil.

O comandante do Agrupamento Distrital do Centro Norte, Pedro Nunes, disse hoje, na conferência de imprensa das 13:00, dada no centro de comando instalado no pavilhão desportivo municipal da Sertã (Castelo Branco), que, durante a manhã, com o vento como aliado, as máquinas de rasto fizeram um conjunto de aceiros “que dão algum fôlego”.

Contudo, as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontam para uma “rotação do vento” para Oeste a partir das 15:00, 16:00, com rajadas que podem chegar aos 35 quilómetros/hora ao final do dia, pelo que a atenção dos meios no terreno, que chegam ao milhar de operacionais, estará no “flanco esquerdo” do fogo, declarou.

Paula Neto, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), adiantou que, durante a manhã, se registaram mais dois feridos ligeiros, um deles um técnico do INEM, que sofreu uma luxação ligeira, e o outro um bombeiro, pelo que, até ao momento, há o registo de 11 feridos ligeiros e um grave.

Pedro Nunes afirmou que desde as 11:00 estão a operar quatro aviões bombardeiros, que se vão manter durante a tarde, bem como um avião de coordenação que tem feito as imagens por infravermelhos que permitem identificar as zonas de maior risco, dada a intensidade do calor.

O comandante afirmou que a indicação das povoações que podem vir a estar na linha de fogo, caso este reacenda e se torne difícil de controlar -- nomeadamente, de Chaveira, Chaveirinha e Casais de São Bento (Mação) e Vergão (Proença a Nova) -- é apenas “um dos cenários possíveis”, estando meios pré posicionados em todo o perímetro.

Pedro Nunes disse não ter ainda indicação dos serviços municipais de proteção civil de Vila de Rei e de Mação sobre o número de casas afetadas, bem como afirmou não ter sido registada até ao momento qualquer falha no sistema de comunicações SIRESP.

Quanto aos meios no terreno, o comandante assegurou que “tudo o que de bom há em Portugal e com capacidade de trabalho está neste teatro de operações”, dada a natureza “complexa” do incêndio, não só pelas condições atmosféricas, mas também pela orografia.

O comandante adiantou que as Forças Armadas instalaram uma cozinha numa escola de Vila de Rei, onde estão a ser confecionadas as refeições para os cerca de mil operacionais, admitindo que possam ocorrer “falhas pontuais” numa operação logística desta dimensão.

A organização, com um posto de comando principal na Sertã e dois postos operacionais, um no centro geodésico em Vila de Rei e outro em Cardigos (Mação), vai manter-se por mais 24 a 36 horas, adiantou.

Questionado sobre a crítica do presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, pelo facto de o posto operacional só ter sido instalado em Cardigos cerca de 30 horas depois do incêndio ter chegado “de forma violenta” ao seu concelho, Pedro Nunes escusou-se a comentar.

Quanto ao pedido de Vasco Estrela de maior transparência na divulgação da forma como são distribuídos os meios no terreno, o comandante adiantou que hoje de manhã estavam sete grupos de combate em Vila de Rei e dez em Mação (sendo que cada um é composto por 25 a 30 elementos), escusando-se igualmente a avançar qualquer dado anterior ao dia de hoje.

Paula Neto referiu que o INEM tem, junto de cada posto operacional, uma equipa médica de emergência e reanimação e uma ambulância de Suporte Imediato de Vida (SUV), tendo igualmente reforçado as ambulâncias de socorro, totalizando cerca de 11 viaturas e perto de 30 operacionais.

Pedro Nunes pediu às populações que se mantenham “alerta e vigilantes” e que, caso o fogo chegue às suas aldeias, o que espera não venha a acontecer, sigam as indicações e orientações das forças de segurança “sem qualquer tipo de reserva”.

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco ao início da tarde de sábado. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda no sábado, ao concelho de Mação, distrito de Santarém.

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