Coordenador do sindicato espera “bom-senso” em eventual reunião com Antram

Lisboa /
14 Ago 2019 / 18:02 H.

O coordenador do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Manuel Mendes, aplaudiu hoje o desafio lançado pelo porta-voz desta estrutura sindical de convidar a Antram para uma reunião, esperando “uma posição de bom-senso”.

O porta-voz do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, desafiou hoje a Antram para uma reunião na quinta-feira às 15 horas, na Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), em Lisboa.

Convidado a comentar este desafio, Manuel Mendes, que tem estado à porta da refinaria de Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, referiu à agência Lusa: “Espero que se reúna e se chegue a uma posição de bom senso”.

“Ninguém tem o prazer de estar aqui assim. Estou aqui há três noites e três dias sem ir a casa e sem ganhar dinheiro, a ter despesas com alimentação e a passar sacrifícios. Não é um prazer para ninguém”, descreveu.

O coordenador do SNMMP aproveitou para criticar quer o Governo quer a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), acusando a tutela de “fazer parecer que o setor dos motoristas é criminoso” e a associação de “mentir”.

“Somos trabalhadores, somos portugueses, somos lutadores. O ministro veio dizer ‘vamos proteger os portugueses e estamos preparados para a greve’. Mas e os 55 mil motoristas que existem no país não são portugueses? E o porta-voz da Antram é um mentiroso. Diz muitas mentiras e temos provas disso”, referiu Manuel Mendes que admitiu ter “receio” que a sociedade portuguesa não entenda esta greve e esteja contra os motoristas.

“Por exemplo, há aqui [Leça da Palmeira] polícia de intervenção, polícia de intervenção rápida. É uma festa. Mas a prova de que está tudo calmo é que os polícias passam o dia a dormir. Nestes três dias e três noites não houve uma asa de mosca a chateá-los. A nossa intervenção não passa de umas palavras de ordem, mas nós estamos como criminosos atrás de grades, as quais não passamos porque até para nos aproximarmos dos agentes para fazer uma pergunta pedimos autorização”, disse o líder sindical.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem hoje o terceiro dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Na terça-feira, o ministro do Ambiente e da Transição Energética disse que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil decretada pelo Governo.

Hoje de manhã, o porta-voz do sindicato dos motoristas de matérias perigosas disse que os trabalhadores não vão cumprir serviços mínimos nem a requisição civil, em solidariedade para com os colegas que foram notificados por não terem trabalhado na terça-feira.

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