A Mosquinha Morta

17 Jun 2019 / 02:00 H.

1. Livro: O Prémio Nobel da Literatura de 1988, Naguib Mahfouz, um dos escritores árabes contemporâneos mais inovadores, escreveu “A Viela de Midaq”, onde relata as aventuras e desventuras de um grupo de pessoas que vivem e gravitam ao redor de uma ruela do Cairo. Excelente livro, que se lê quase de uma assentada.

2. Disco: está aí o novo do The Boss. Bruce Springsteen acaba de lançar “Western Stars”. E nós agradecemos. Música que podemos rotular de “western”, assim a modos que um country que não o é bem. Gosto sempre muito quando Springsteen soa a “américa profunda”. Excelente álbum.

3. Segundo entidades oficiais de Marrocos, a “mosca-da-fruta” tem os dias contados nesse país. Calculem qual vai ser a técnica usada para atingir tal fim? Quem respondeu que isso vai acontecer com “moscas-da-fruta estéreis machos”, leva o triciclo. Para os que não se recordam, a Madeira foi pioneira ao erigir, na Camacha, uma Biofábrica que esterilizava os “machos das mosquinhas-da-fruta” que depois eram soltos em zonas de frutíferas de modo que o processo de reprodução fosse feito a “seco”, permitam-me a expressão. Era o Programa Madeira Med.

Até um avião se arranjou para soltar as ditas cujas por todo o arquipélago

O engraçado de tudo isto tem a ver com o facto de apesar de a metodologia do lançamento aéreo, com a orografia que temos, não ser a melhor, os resultados começaram a saltar à vista. Chegámos, mesmo, a exportar “machos de mosquinhas-da-fruta estéreis”.

Um belo dia, uma cabecinha iluminada, deu o projecto, que custou largos milhões, por terminado. Estrutura abandonada, avião despachado, máquina nuclear vendida para o Brasil, salvo erro, e o trabalho de técnicos menosprezado e não reconhecido.

Agora, levamos com a notícia de que os marroquinos, esse povo superior, vão fazer o mesmo, usando a Técnica do Insecto Estéril, para dar cabo dessa peste que tanto dano causa à fruta. Tudo como apoio da FAO (Food and Agriculture Organization — ONU) e da Agência Internacional de Energia Atómica, organizações que não percebem nada de nada destas coisas.

Marrocos fica mesmo aqui ao lado. Até podíamos estar agora a assessorá-los ou a vender-lhes “know how” e bichinhos machos estéreis.

Afinal como é? O sistema funciona ou não? Se funciona para os outros porque não para nós?

4. O Hospital da Cruz Vermelha está à venda. Será?

5. Em Lisboa tiram-se bancos no Metro para levar mais gente, embora a justificação seja outra. Na Irlanda, anuncia-se a compra de 600 comboios eléctricos a bateria. Malditos liberais. Onde é que já se viu semelhante coisa? Se eles tirassem bancos das composições, se calhar já podiam usar comboios a fuel, ou quem sabe, mesmo a carvão...

6. Para informar que a TAP foi agraciada com 3 prémios no Festival de Cliques e a Madeira só ganhou um...

7. A selecção de todos nós, capitaneada pela genialidade de Cristiano Ronaldo, ganhou a Liga das Nações.

Portugal é, agora, o país europeu que tem mais troféus dessa liga.

Melhor: Portugal é o único país europeu que tem troféus dessa liga.

8. Passou mais um Dia de Portugal. Um dia que devia ter sido celebrado na Madeira, integrado nas comemorações rançosas dos 600 Anos, a ver se dava algum brilho à coisa e safava a festa. Mas não foi.

O destino foi Portalegre. E deu-nos o brilhante discurso de João Miguel Tavares.

Por causa das suas palavras, foi vê-los a andarem por aí feitos mulas ofendidas. Os que aqui nos trouxeram. Este país, feito à sombra de estatismo e socialismo, sem sentido. Pátria de uns tantos com responsabilidades políticas que olham para a corrupção sem a verem, que tudo fazem para acumular o país na borda de água, até que um dia caia para o mar.

Uma gentinha que não entende que a igualdade não se impõe por decreto mas sim procurando criar as oportunidades para que tal aconteça.

Conservadores que se contentam em viver neste charco cheio de desmotivação. Que não conseguem olhar para o futuro, para tentar perspectivá-lo. Pessoas que se contentam com pouco.

Referir-se o discurso de João Miguel Tavares como sendo “salazarento”, é não saber do que se está a falar. Querer mais do que tivemos para os nossos filhos, é progressismo. Eu não quero ver as minhas a terem de emigrar para poderem ter lá fora o que lhes negamos aqui.

Uma classe política que recusa a proximidade com o eleitor. Que chafurda algures onde todos, os da mesma laia, se encontram, designando os outros como “sociedade civil”, como se os partidos fossem uma coisa à parte e a não integrassem.

O medo de que, finalmente, assumamos a cidadania e nos tornemos exigentes.

Coitados dos que não perceberam que ninguém fez a apologia do “nós” por oposição ao “eles”. JMT limitou-se a constatar um facto. O país está dividido entre os “nós” e os “eles”, e não fazer nada para unir as partes, não perceber isto, não pode ser solução.

Ofendidos com um discurso brilhante. Que não se limita a pôr o dedo na ferida aproveitando para nela escarafunchar!

Ser de esquerda, e mesmo alguma direita passadista, pelo menos para alguns/muitos, neste país, já não é só achar que se tem uma superioridade moral sobre tudo e sobre todos. É levar isso até ao paroxismo da idiopatia.

9. António Costa quando questionado, no final, sobre “como tinha ouvido os discursos”, respondeu: “com os ouvidos”.

Antes tivesse ouvido com inteligência.

10. A Lei do PAN, sobre beatas de cigarros, foi aprovada na Assembleia da República. Muito bem! Fico à espera que os mesmos proponham o mesmo, mas com multas muito mais altas, a quem leva os animais a passear e deixa ficar os dejectos pelo caminho. Os meus sapatos agradecem. Ah! E terão todo o meu apoio.

11. “Fora com as suas manias de administradores governamentais, com os seus projectos socializantes, a sua centralização, os seus preços tabelados, as suas escolas públicas, as suas religiões oficiais, os seus créditos livres, os seus bancos gratuitos ou monopolizados, as suas regras, as suas restrições, a sua piedosa moralização, a sua igualação pelo imposto” — Frédéric Bastiat

Nuno Morna

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