Turquia acusa países ocidentais de tomarem partido de terroristas

21 Out 2019 / 12:39 H.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje os países ocidentais de “tomarem partido pelos terroristas” contra a Turquia ao criticarem a ofensiva de Ancara contra as forças curdas na Síria.

“O Ocidente ficou do lado dos terroristas e atacaram-nos todos em conjunto, incluindo os países da NATO e os países da União Europeia. Todos”, afirmou Erdogan num discurso feiro em Istambul, na Turquia.

A Turquia, que considera as Unidades de Proteção Popular (YPG) como um grupo terrorista devido à sua ligação ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, guerrilha curda ativa em solo turco), lançou, em 09 de outubro, uma ofensiva no nordeste da Síria contra as milícias curdas.

No entanto, as YPG são aliadas dos ocidentais no combate aos ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico.

A operação militar, suspensa na quinta-feira durante uma frágil trégua negociada entre Ancara e Washington, foi duramente criticada pela comunidade internacional, para desgosto de Erdogan, que exorta a NATO, organização da qual a Turquia faz parte, a mostrar “empatia” entre parceiros.

“Pensei que eram contra o terrorismo, quando é que começaram a estar do lado dos terroristas?”, criticou o Presidente turco.

“As YPG tornaram-se um membro da NATO sem que eu fosse avisado”, acrescentou com sarcasmo.

Segundo Ankara, a operação militar contra as YPG visa estabelecer uma “zona de segurança” entre a fronteira turca e os territórios controlados pelos combatentes curdos.

Na quinta-feira, Erdogan e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, chegaram a um acordo para parar a ofensiva durante “120 horas” - até terça-feira à noite - para permitir que as forças curdas se retiram da zona por onde passa o projeto turco de “zona de segurança”.

“Grande parte das 120 horas já passou”, lembrou hoje Erdogan, acrescentando que a Turquia avisou que a ofensiva seria retomada se as YPG não respeitassem o acordo.

O Presidente turco tem agendada uma visita à Rússia na terça-feira, para se encontrar com o seu homólogo, Vladimir Putin, e discutirem a Síria, assunto sobre o qual os dois líderes têm cooperado estreitamente.

“Vamos discutir a situação na Síria e, se Deus quiser, tomaremos as medidas que forem necessárias”, garantiu Erdogan.

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