Serviços secretos detiveram 4 militares durante visita de comissária para os direitos humanos à Venezuela

23 Jun 2019 / 21:34 H.

Quatro oficiais das Forças Armadas Venezuelanas (FAV) foram detidos por funcionários do Serviço Bolivariano de Informações (SEBIN, serviços secretos), no último dia da visita à Venezuela, da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

A denúncia das detenções foi feita a jornalistas por familiares dos detidos, que acusam o SEBIN de ter “sequestrado”, na sexta-feira, dois coronéis reformados, um general de brigada da Aviação e um capitão de corveta da Marinha.

Trata-se dos coronéis da Aviação Francisco António Torres Escalona, 64 anos, e Miguel Alberto Castillo Cedeño, 61 anos, do general de brigada Miguel Sisco Mora, 45 anos, e do capitão de corveta Rafael Acosta Arevalo, 47 anos.

Mariloly Rivero, mulher de Francisco António Torres Escalona, explicou que o coronel foi levado do seu apartamento depois de ser amarrado e agredido.

Maria Victoria Castillo, responsabilizou o Presidente da Venezuela Nicolás Maduro pelo que possa vir a acontecer ao seu pai, Miguel Alberto Castillo Cedeño, que foi levado por três funcionários do SEBIN que entraram na sua casa armados.

É também desconhecido o paradeiro do general de brigada de Aviação, Miguel Sisco Mora, que, segundo a filha, Stephanie Sisco, foi detido por organismos de segurança do Estado.

Waleska Pérez León, denunciou através de um vídeo divulgado nas redes sociais, que o seu marido, o capitão de corveta Rafael Acosta Arevalo desapareceu depois de na tarde de sexta-feira participar numa reunião.

Os últimos dados divulgados pela ONG Foro Penal dão conta de que na Venezuela existiam, até 16 de junho 715 presos políticos, 609 civis e 106 militares.

Desde 2014 foram detidas 15.070 pessoas na Venezuela, das quais 8.600 estão sob medidas “cautelares” entre elas regime de apresentação periódica e proibidas de sair do país.