Presidente sul-africano admite que corrupção pode ter custado ao país cerca de 61 mil ME

14 Out 2019 / 15:51 H.

A corrupção na África do Sul durante o mandado do ex-presidente Jacob Zuma poderá ter custado ao Estado cerca de mil milhões de rands (61 mil milhões de euros), afirmou hoje em Londres o Presidente sul-africano, Ciryl Ramaphosa.

A escala da sangria foi “muito maior do que alguém imaginava”, afirmou o chefe de Estado sul-africano em Londres, na cimeira de África do Financial Times, manifestando-se “confiante” que a Procuradoria-Geral sul-africana tomará “medidas adequadas” sobre o desvio de fundos, que deixou várias empresas públicas soterradas em dívida, nomeadamente a elétrica Eskom, com 30 mil milhões de rands (1,8 mil milhões de euros)

Sobre a Eskom, Ciryl Ramaphosa manifestou-se confiante nas “soluções inovadoras” inscritas no plano do seu Governo para lidar com a dívida da elétrica nacional, que deve ser divulgado nos “próximos dias”, antes da avaliação de notação financeira da Moody’s, esperada no final do mês.

Num discurso na abertura da cimeira organizada pelo Financial Times, e divulgado pela presidência sul-africana, o chefe de Estado chamou a atenção para a segunda conferência de Investimento da África do Sul, que considerou estratégica no “esforço nacional para atrair 100 mil milhões de dólares em novos investimentos ao longo de um período de cinco anos”.

“A conferência inaugural do ano passado angariou cerca de 20 mil milhões de dólares em compromissos de investimento. O nosso foco este ano é ir, para além dos compromissos de investimento, aos projetos em estado de serem financiados pelos bancos, que estejam prontos para ser implementados”, sublinhou.

O Governo sul-africano, afirmou, está empenhado desde o ano passado em “reformas estruturais fundamentais para fazer face a um crescimento persistentemente fraco, estimular a atividade económica, restaurar a confiança dos investidores e criar emprego”.

“Temos tomado medidas para proporcionar maior segurança política em áreas como a mineração, o petróleo e o gás e as telecomunicações, como parte dos esforços para criar um ambiente estável para o investimento”, disse.

Ciryl Ramaphosa assumirá no próximo ano a presidência da União Africana, cargo a que se comprometeu dar expressão através de um “grande ênfase” à concretização da Área Continental de Livre Comércio Africana.

“Há muito trabalho a fazer e muitos obstáculos a ultrapassar, mas estamos determinados a que África aproveite este momento”, afirmou em Londres

A criação da área de livre comércio dá expressão ao Acordo de Comércio Livre Continental Africano (AFCFTA, na sigla em inglês), que entrou em vigor em maio, ratificado por 52 das 55 nações africanas, que estabelece a maior área de livre comércio do mundo desde a criação da Organização Mundial do Comércio em 1995.

O AFCFTA cobrirá mais de 1,2 mil milhões de pessoas e integra um produto interno bruto (PIB) consolidado de mais de 3 mil milhões de dólares. Porém, ainda que prometa desbloquear o potencial económico de África, enfrenta várias batalhas até à sua implementação.

Os cossignatários do acordo querem ver “maiores níveis de investimento dirigidos para África e maiores volumes de comércio intra-africano”, salientou Ciryl Ramaphosa, recordando que o comércio entre os países africanos é atualmente de 15%, contra 47% nas Américas, 61% na Ásia e 67% na Europa.

Para o chefe de Estado, o acordo “ajudará a consolidar a união entre todos os Estados africanos”, reduzindo o potencial de conflito, “porque não há nenhum benefício em travar guerras com países com os quais se negoceia”.

Neste contexto, o Presidente sul-africano sublinhou a importância da atribuição do prémio Nobel da Paz deste ano ao primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, divulgada na sexta-feira.

“Este prémio é um reconhecimento digno do trabalho do primeiro-ministro Abiy na construção da paz entre a Etiópia e a Eritreia”, declarou Ciryl Ramaphosa.

A importância da atribuição do prémio é, porém, “muito maior, na medida em que é um grande impulso para o projeto de silenciar as armas no continente” africano e “instalar a paz” que lhe permitirá alcançar as suas “ambições”, frisou.

“A nova geração de líderes da estirpe de Abiy Ahmed é ousada, corajosa e concentrada na criação de uma África em paz consigo mesma e no crescimento das economias dos países africanos através da inovação, do desenvolvimento de infraestruturas e do comércio”, vincou o chefe de Estado sul-africano.

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