Presidente brasileiro diz que o Brasil “estava no mesmo caminho” da Venezuela
O chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, disse hoje, em conferência de imprensa conjunta com o autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que o Brasil estava “no mesmo caminho” da Venezuela, mas que o “povo brasileiro acordou”.
“O Brasil estava num caminho semelhante [ao da Venezuela], mas o povo brasileiro acordou, em parte, olhando para o que acontecia negativamente na Venezuela, e resolveu dar um ponto final no populismo, na demagogia barata, que levou à situação em que a Venezuela se encontra no momento”, afirmou Bolsonaro, no Palácio do Planalto, em Brasília.
“A democracia e a liberdade têm de ser tratadas com muito carinho e ser vigiadas”, acrescentou.
O chefe de Estado do Brasil fez ainda um ‘mea culpa’, tendo afirmado que parte da situação que a Venezuela atravessa nos dias de hoje é também responsabiidade de dois ex-presidentes brasileiros, mas sem identificar o nome dos políticos a que se referia.
Jair Bolsonaro afirmou também que não poupará “esforços” para restabelecer a democracia no país vizinho.
“Nós não pouparemos esforços dentro, obviamente, da legalidade, da nossa Constituição e das nossas tradições, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela. E todos nós sabemos que isso será possível através, não apenas de eleições, mas de eleições limpas e confiáveis”, afirmou o Presidente brasileiro.
Juan Guaidó, por sua vez, agradeceu a ajuda concedida até ao momento pelo Brasil, acrescentando que o país sul-americano irá poder contar com uma Venezuela próspera, de forma a recuperarem as relações ecónomicas.
O líder do parlamento e autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, viajou nesta quarta-feira para o Brasil para se reunir hoje com o chefe de Estado, Jair Bolsonaro.
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.
Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.
Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.
A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes, tal como o Brasil.
A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já dezenas de mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.