Paris prepara-se para pico de calor extremo

Paris /
24 Jun 2019 / 15:14 H.

Os termómetros na capital francesa podem chegar aos 40ºC a partir de terça-feira e as autoridades lançaram medidas preventivas como chamadas de vigilância, parques abertos à noite e uma aplicação que mostra onde encontrar ar fresco na cidade.

“Entendemos aplicar medidas especiais mesmo antes desta previsão de calor extremo. Por exemplo, decidimos há mais de um mês abrir alguns parques durante a noite, um pouco por toda a cidade, até ao final do verão”, disse Hermano Sanches Ruivo, lusodescendente e vereador da Câmara Municipal de Paris.

No que diz respeito aos planos nacionais, “já está tudo planeado, só é preciso ativar e informar a população das medidas que têm à disposição”, acrescentou.

A França conta com um plano canícula - calor extremo - de quatro níveis e, para esta semana, as autoridades ativaram o nível 3 um pouco por todo o país.

Em Paris, as temperaturas podem chegar aos 40ºC, com uma sensação térmica ainda superior, mas noutros pontos de França, como Hauts de Seine, nas imediações da capital ou Champanhe, podem chegar a registar-se 48ºC.

Em 2003, uma onde de calor similar à que se aproxima provocou cerca de 15 mil mortos na Europa, algo que marcou a França e que as autoridades não querem que se repita.

A Câmara de Paris, tal como outras autarquias, foi para além das recomendações oficiais para garantir a segurança e o bem-estar dos habitantes e dos turistas que visitam a cidade.

Desde logo, pondo em prática o plano Chalex, um sistema em que os maiores de 75 anos, pessoas com deficiência ou graves problemas de saúde se podem inscrever e receber chamadas de verificação constante durante os dias de pico de calor.

Caso não haja resposta a quatro chamadas em 48 horas, um médico ou um assistente social irão até ao domicílio da pessoa em questão para verificar se há algo de errado.

Para além da abertura reforçada dos parques durante a noite, a cidade criou a aplicação EXTREMA Paris mostrando no mapa os jardins com água ou locais frescos, como igrejas, que estão abertos a todos.

Foram ainda criadas vagas adicionais para os sem-abrigo na grande região da capital e os transportes públicos repetem de forma incessante a necessidade beber água e de se proteger do calor.

Estas medidas visam prestar assistência especialmente a pessoas em situação vulnerável, como por exemplo os idosos e as crianças. Mas não só.

Numa conferência de imprensa na semana passada, a ministra da Saúde, Agnès Buzyn mostrou-se preocupada com a população em geral.

“Estou muito preocupada com os nossos concidadãos que minimizam este episódio, que continuam a praticar desporto como se isto não estivesse a acontecer e que apanham sol nestas condições que vão ser de grande risco na próxima semana”, disse a governante.

A dimensão deste fenómeno e os alertas à população estão em todo o lado, com chamadas de atenção constantes também por parte dos meios de comunicação franceses, não só nas televisões, mas com alertas nos telemóveis.

“Quando era criança, lembro-me de alguns anos dramáticos, mas não se falava tanto, nem havia tantas ações sistematicamente organizadas. Logo, o próprio sentimento de algo extremo não tinha tantas consequências. Mas não me lembro de uma onda de calor com tantos alertas como esta”, lembrou Hermano Sanches Ruivo.

Se o calor por si só não agrava a poluição do ar, os ventos fracos durante estes episódios de calor extremo podem tornar mais difícil dispersar as partículas do ar.

Portanto, a partir de terça-feira, Paris poderá ter picos de poluição, embora a AirParif, entidade que mede os níveis de poluição no ar da capital, tenha ainda o índice no indicador médio.

Isto poderá levar à ativação das regras de circulação diferenciada dentro da capital, com o ministério do Ambiente a anunciar esta segunda-feira, segundo a rádio FranceInfo, que a decisão para esta medida já não precisa ser autorizada pela polícia, passando a ser automática consoante os níveis de poluição, e também a maior restrição dos veículos que vão poder andar em Paris nesses dias.