ONU apoia conversações de Oslo entre governo e oposição da Venezuela

16 Mai 2019 / 19:47 H.

As Nações Unidas anunciaram hoje que o secretário-geral, António Guterres, é “muito favorável” às conversações entre o governo da Venezuela e a oposição, que decorrem na Noruega, de modo a acabar com a crise no país.

O porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, foi questionado na sede da organização, em Nova Iorque, sobre uma possível participação da ONU neste processo.

“Não quero prever o que pode acontecer, numa situação que sabemos ser complicada. O que é claro é que os bons ofícios do secretário-geral e os bons ofícios das Nações Unidas continuam disponíveis”, defendeu.

Representantes do Governo e da oposição venezuelana viajaram até à Noruega para participarem em conversas exploratórias sobre uma solução para a crise política no país, noticiou na quarta-feira a agência de notícias Associated Press (AP).

Juna Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela, afirmou que não existem “nenhumas negociações” entre a oposição e o governo em Oslo, explicando que em causa está uma “mediação” da Noruega para ajudar a resolver a crise.

“Não há nenhum tipo de negociação”, disse Juan Guaidó numa reunião política em Caracas, referindo-se ao envio de “delegados” da oposição para uma “mediação” preparada nos últimos meses pelo país escandinavo.

Membros da Assembleia Nacional (AN), controlada pela oposição na Venezuela, que pediram para não serem identificados, adiantaram à AP que altos membros de ambos os lados vão estar envolvidos nas discussões em Oslo.

As mesmas fontes indicaram que os representantes incluem o ministro da Informação venezuelano, Jorge Rodriguez, e Stalin Gonzalez, um dos principais membros da AN.

O Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, não abordou diretamente este assunto em declarações transmitidas na televisão, na quarta-feira, mas deu conta que o ministro da Informação estava numa missão “muito importante” fora da Venezuela.

A crise política na Venezuela agravou-se a 23 de janeiro, quando o líder da AN, Juan Guaidó, jurou assumir funções de presidente interino, formar um Governo de transição e organizar eleições livres, contando com apoio de mais de 50 países.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime. Nicolás Maduro, no poder desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado.

À crise política na Venezuela soma-se uma grave crise económica e social, que já levou mais de 2,3 milhões de pessoas a emigrarem desde 2015, de acordo com dados da ONU.