Milhares de manifestantes procuram bloquear transportes e apelam a protestos na Catalunha

14 Out 2019 / 15:48 H.

Milhares de pessoas saíram hoje à rua em várias localidades da Catalunha, fechando estradas e bloqueando transportes públicos, para contestar as condenações de antigos membros da administração autónoma, por sedição e má gestão de fundos públicos.

Um grupo organizado de ativistas distribuía, hoje de manhã, bilhetes de acesso ao aeroporto de El Prat, nos arredores de Barcelona, com o intuito de provocar o colapso dos controlos dos terminais pela afluência de utentes.

Muitos destes grupos são alimentados por estudantes, estimando-se que sejam 25 mil os que se manifestam na Praça da Catalunha - uma das mais concorridas da cidade - com muitos deles, convocados por associações estudantis, a tentar boicotar o normal funcionamento dos serviços de transportes.

Nas redes sociais circulam mensagens a apelar à “revolta popular” e à “desobediência civil”, a partir de contas oficiais de diversos grupos independentistas e de outras individuais, bem como mobilizando os cidadãos a uma concentração em frente ao Supremo Tribunal de Justiça de Catalunha, sob o lema “Sinalizaremos os repressores, sinalizaremos a (in)justiça”.

As autoridades policiais foram obrigadas a fechar os acessos ao parque Ciutadella, onde está sediado o Parlamento catalão, local privilegiado de contestação às sentenças contra os antigos dirigentes, hoje conhecidas, que provocaram a indignação entre muitos independentistas.

Uma centena de funcionários da Generalitat e de deputados concentraram-se em frente ao Parlamento, numa manifestação silenciosa, exibindo cartazes com fotografias dos dirigentes hoje condenados.

A Federação Catalã de Futebol (CFC) anunciou hoje a suspensão de todas as atividades, explicando, em comunicado, estar “solidária com os políticos condenados” e dizendo ter anulado a disputa de partidas de futebol marcadas para as próximas horas.

Os protestos já se alargaram a outras cidades catalãs e os Mossos de Esquadra [polícia regional] estimam que quase seis mil pessoas estejam concentradas em frente da delegação da Generalitat, em Girona, repetindo cenários que se verificam em numerosas praças e ruas.

A autarquias de Girona e Tarragona suspenderam mesmo as suas atividades institucionais, programadas para o dia de hoje e estão a colaborar com grupos de cidadãos independentes que preparam a leitura de manifestos ao longo da tarde.

Os trabalhadores de hospitais como Clinic, Bellvitge e Sant Pau abandonaram os seus postos de trabalho, para permanecerem em frente aos edifícios, como forma de protesto.

Em muitos casos, os funcionários de diversos serviços e setores nem sequer conseguiram chegar aos locais de trabalho, com importantes vias, como as estradas C-15, C-17 e AP7 a ficarem bloqueadas por marchas lentas de condutores.

O Tribunal Supremo condenou hoje os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até 13 anos de prisão.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram crime de sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num “levantamento público e tumultuoso” para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o comprimento das decisões judiciais.

“Os acontecimentos do dia 01 de outubro” (2017)” não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados”, referem os juízes do Supremo espanhol.