Irlanda do Norte recusa convocar deputados até partidos subscreverem acordo

10 Jan 2020 / 10:47 H.

O presidente da Assembleia da Irlanda do Norte, suspensa desde 2017, afirmou hoje que só convocará uma sessão após os principais partidos políticos subscreverem o acordo publicado durante a noite de quinta-feira pelos governos britânico e irlandês.

Na sequência da publicação do acordo, o ministro da Irlanda do Norte britânico, Julian Smith, solicitou ao presidente da Assembleia [speaker], Robin Newton, que convocasse uma sessão para eleger um novo presidente e nomear ministros.

Porém, Newton alegou que só o fará quando os partidos confirmarem concordar com o pacto e com a reabertura da assembleia, que está suspensa desde 2017.

“A velocidade e a data de qualquer sessão depende, portanto, inteiramente de quando o ‘speaker’ escutar [uma resposta] positiva dos partidos”, informou hoje um porta-voz.

O governo britânico divulgou um projeto de acordo na noite de quinta-feira para restaurar o governo local na Irlanda do Norte, que está fechado há três anos, sugerindo que a assembleia autónoma de Stormont, em Belfast, se reúna na sexta-feira.

O acordo, intitulado “Nova Década, Nova Abordagem”, foi apresentado para os partidos políticos da Irlanda do Norte subscreverem e “vai transformar os serviços públicos e restaurar a confiança do público no governo autónomo”.

Para entrar em vigor, o acordo tem de ser aprovado pelos Partido Democrata Unionista (DUP) e pelo Sinn Fein, os dois principais partidos políticos, representativos das comunidades ‘unionista’ [que defende a permanência no Reino Unido e sob a coroa britânica] e nacionalista [que quer a reunificação com a Irlanda numa república].

Nos termos do acordo de paz de 1998, que pôs fim aos ao conflito sectário que causou mais de 3.500 mortos em 30 anos, estes dois partidos devem partilhar o poder.

A líder da DUP, Arlene Foster, manifestou-se favorável ao projeto de acordo, afirmando: “Acreditamos que existe uma base sobre a qual a Assembleia e o executivo podem ser restaurados de maneira justa e equilibrada”.

Já a líder do Sinn Féin, Mary-Lou Mc Donald, disse que o seu partido se vai reunir na sexta-feira para examinar o texto “com atenção”.

“Este é um momento de verdade para o acordo de Belfast”, afirmou o ministro da Irlanda do Norte, Julian Smith, em comunicado, pedindo às partes que se unam e formem um governo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Simon Coveney, cujo governo esteve envolvido nas negociações, encorajou os partidos a “que se empenhem coletivamente para garantir que a política beneficie a população”.

Um escândalo político-financeiro derrubou a coligação anterior do governo em janeiro de 2017, desencadeando eleições, após as quais DUP e Sinn Féin não se conseguiram entender para formar um executivo.

O governo britânico impôs segunda-feira 13 de janeiro como prazo para a resolução do impasse, ou então serão convocadas eleições regionais.