Irão usou dois mísseis para abater avião comercial ucraniano

21 Jan 2020 / 08:10 H.

Dois mísseis foram lançados contra o Boeing 737 da Ukraine International Airlines abatido em 08 de janeiro pelas forças armadas iranianas, indicou hoje um relatório de investigação preliminar da Organização de Aviação Civil Iraniana (CAO).

“Os investigadores [...] acederam a informações e descobriram que dois mísseis M1-TOR [...] foram disparados contra o avião”, apontou relatório.

“O efeito dos [mísseis] no acidente e a análise dessa ação estão sob investigação”, de acordo com o documento.

Após três dias de desmentidos, as forças armadas iranianas reconheceram a 11 de janeiro ter abatido “por erro” o Boeing 737 da Ukraine International Airlines alguns minutos depois de ter levantado voo de Teerão.

Todos os 176 ocupantes do avião, na maioria iranianos e canadianos, morreram.

No domingo, os corpos das 11 vítimas ucranianas do acidente, entre as quais os nove membros da tripulação, foram repatriados para Kiev.

O acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, em Ain Assad e Erbil, no Iraque, numa operação de vingança pela morte do general iraniano Qassem Soleimani, numa operação de Washington.

Na segunda-feira, Kiev assumiu que vai insistir para que Teerão lhe entregue as ‘caixas negras’ do avião comercial ucraniano abatido pelo Irão, indicou a diplomacia ucraniana.

O ministro dos Transportes iraniano, Mohammad Eslami, chegou à Ucrânia, na segunda-feira, para “apresentar desculpas oficiais” e Kiev espera poder “discutir problemas práticos, como a devolução das ‘caixas negras’”, indicou à imprensa o chefe da diplomacia ucraniana, Vadym Prystaiko.

“Exigimos que estas caixas nos sejam entregues, é deste modo que o Irão vai provar estar disposto a um diálogo aberto e a uma investigação imparcial”, adiantou o ministro ucraniano.

Na sexta-feira, Prystaiko tinha assegurado que Teerão “estava pronto” para entregar a Kiev as ‘caixas negras’ do Boeing ucraniano, mas o Irão recuou.

“Vamos tentar decifrar as caixas negras no Irão e depois as nossas opções são a Ucrânia e a França. Mas no momento não planeamos enviá-las para outro país”, indicou o diretor do gabinete de investigação da organização iraniana da aviação civil, Hassan Rezayifar, citado pela agência iraniana IRNA.

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