Governo australiano deporta turista que tentou importar porco perante ameaça de peste

15 Out 2019 / 11:07 H.

O Governo australiano anunciou ter deportado uma mulher vietnamita de 44 anos que importou, sem declarar, mais de 10 quilos de produtos animais incluindo porco, perante a crescente ameaça da peste suína africana.

Bridget McKenzie, ministra da Agricultura, anunciou hoje a decisão tomada pelas autoridades fronteiriças no sábado, em Sydney, afirmando que Camberra está empenhada em evitar a entrada da doença na Austrália.

“Deportamos uma mulher de 44 anos por ter violado as nossas regras de biossegurança. Temos que manter o atual estado de sermos livres da peste suína africana que nos últimos oito meses se espalhou pela Europa e Ásia”, disse.

A deportação, explicou, foi deliberada no âmbito de um aumento significativo das medidas de controlo no intuito de evitar a entrada da doença na Austrália, que poria em risco mais de 2.700 produtos e 36 mil empregos.

Entre as medidas preventivas, explicou, o Governo australiano enviou especialistas para Timor-Leste.

“Comprovou-se que a doença chegou a Timor. Os nossos veterinários estão a trabalhar com as autoridades timorenses a tentar desenhar um plano para erradicar a doença em Timor-Leste”, disse.

“Enviámos também cães para Darwin para ajudar no processo de verificação dos voos diretos de Díli”, esublinhou.

Considerando a doença uma “das maiores ameaças de saúde animal no mundo”, McKenzie explicou que testes efetuados a produtos de porco importados para Austrália mostram um aumento da prevalência da doença desde o início do ano.

Segundo explicou, desde o início do ano o Governo detetou mais de 27 toneladas de produtos suínos, tendo o nível de contaminação aumentado de 15% no inicio do ano para quase metade em setembro.

“Nos últimos meses temos trabalhado para fiscalizar mais e melhor, tanto passageiros como carga. Temos scans 3D e mais atenção às inspeções. Os dados mostram que há cada vez mais produtos contaminados com peste suína africana”, referiu.

McKenzie disse que a mulher deportada no fim de semana não declarou os produtos, explicando que “não declarar estes produtos é uma violação da lei de biossegurança”.

“O seu visto turístico foi cancelado e a mulher não poderá visitar a Austrália nos próximos três anos”, frisou.

Recorde-se que no início do mês as autoridades de Timor-Leste anunciaram que cerca de 400 porcos em explorações agrícolas morreram de peste suína, doença que está a dizimar o gado na China, Coreia do Norte e Coreia do Sul.

“Desde 19 de setembro, o Ministério compilou informações sobre a morte de 400 porcos”, lê-se num comunicado difundido pelo Ministério da Agricultura, que solicitou assistência à Austrália.

Esta doença não ameaça os seres humanos, mas provoca febre hemorrágica nos animais e é geralmente fatal, não existindo vacina contra a epidemia, pelo que a única solução é o abate das varas onde alguns porcos estejam infetados.

Hoje a China interditou a entrada de carne de porco proveniente de Timor-Leste devido ao surto de peste suína africana detetado no arquipélago.

Segundo um edital publicado hoje pela Administração Geral da Alfândega da China mas datado de sábado passado, passa a ser proibida a importação, direta ou indireta, ou o transporte de porcos, javalis ou “produtos derivados” de Timor-Leste.

Quem violar a interdição será punido de acordo com a lei, sublinha a Alfândega, e os animais ou produtos serão devolvidos ao arquipélago ou destruídos.

No caso de a China servir apenas como ponto de passagem dos animais ou produtos rumo a um outro mercado, o veículo em que segue a mercadoria deverá ser selado e só aberto com a autorização da alfândega chinesa, explica o edital.