FMI diz que luta contra a corrupção é parte importante do programa de apoio a Angola

EUA /
22 Jan 2020 / 11:57 H.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje à Lusa que a luta contra a corrupção é “uma parte importante” do programa de apoio financeiro a Angola, defendendo o crescente uso de plataforma electrónica para as obras públicas.

Questionado pela Lusa sobre o impacto da divulgação da investigação do consórcio de jornalistas, conhecida como ‘Luanda Leaks’, o responsável do departamento de comunicação do FMI que faz a ligação com Angola disse que este esforço de combate à corrupção “envolve o fortalecimento da legislação relevante, como a preparação de melhorias à lei de combate à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, e outras leis promovendo uma governança melhor nas instituições públicas”.

“Nós não comentamos investigações criminais em curso, julgamentos ou documentos divulgados, mas em geral, como noutros programas do FMI, a luta contra a corrupção é uma parte importante do Programa de Financiamento Ampliado em Angola”, ressalvou Gediminas Vilkas.

O responsável acrescentou, ainda assim, que “este esforço também envolve o aumento da transparência pública, por exemplo através da publicação atempada das contas anuais certificadas das empresas púbicas e um aumento do uso de plataformas electrónicas para atribuição de contratos públicos”.

Esta é uma das questões centrais dos dados divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), que revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

Isabel dos Santos disse estar a ser vítima de um ataque político orquestrado para a neutralizar e sustentou que as alegações feitas contra si são “completamente infundadas”, prometendo “lutar nos tribunais internacionais” para “repor a verdade”.

De acordo com a investigação deste conjunto de órgãos de comunicação social, entre os quais o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai, que tinha como única accionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da operadora NOS.