EUA e aliados alertam para “acção desestabilizadora” do Irão e pedem “soluções diplomáticas”

24 Jun 2019 / 18:38 H.

Estados Unidos, Reino Unido, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos alertaram esta segunda-feira para os perigos “da acção desestabilizadora” do Irão para a paz no Iémen e no Médio Oriente, apelando a “soluções diplomáticas” para diminuir as atuais tensões.

O apelo conjunto consta de um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano e que é publicado no dia em que o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, se encontra na Arábia Saudita, um aliado próximo de Washington e um reconhecido rival regional de Teerão, para falar da intensificação da tensão com o Irão registada nos últimos dias.

“O reino da Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Reino Unido e os Estados Unidos (EUA) expressam a sua preocupação com a escalada das tensões na região e para os perigos colocados pela acção desestabilizadora iraniana para a paz e a segurança no Iémen e em toda a região, incluindo os ataques aos petroleiros a 12 de maio em Fujairah [costa dos Emirados] e no Golfo de Omã a 13 de junho”, referiu o comunicado conjunto.

As autoridades iranianas negam qualquer responsabilidade nestes incidentes em rotas marítimas que são consideradas como vitais para o tráfego mundial de petróleo.

“Estes ataques ameaçam as rotas marítimas internacionais de que todos nós dependemos. Os navios e as respectivas tripulações devem poder passar por águas internacionais com segurança”, indicou a nota assinada pelos quatro países.

“Exortamos o Irão a parar com quaisquer outras acções que ameacem a estabilidade regional e pedimos soluções diplomáticas para diminuir as tensões”, reforçaram Washington, Riade, Londres e os Emirados.

Sobre a situação no Iémen, país que é palco de uma guerra desde 2014 entre os rebeldes conhecidos como ‘Huthis’ (apoiados pelo Irão) e as forças do Presidente Abd Rabbo Mansur Hadi (apoiadas por uma coligação militar internacional árabe, que inclui a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos), os quatro países expressaram a sua preocupação sobre várias situações ocorridas no terreno.

“Em particular, condenamos o ataque ‘Huthi’ no aeroporto civil de Abha a 12 de junho, que feriu 26 civis”, indicou o comunicado, acrescentando que os quatro países expressam “total apoio à Arábia Saudita” e pedem “o fim imediato” de tais ataques.

Também manifestaram preocupação pelo facto do Programa Alimentar Mundial (PAM) “ter sido forçado a suspender a distribuição de alimentos em Sanaa [capital iemenita] devido à interferência dos ‘Huthis’”.

“Apelamos aos ‘Huthis’ que acabem imediatamente com todas as restrições impostas às agências de ajuda internacional para garantir o fornecimento de uma assistência vital aos iemenitas mais necessitados”, afirmaram os quatro países.

O conflito no Iémen já matou dezenas de milhares de pessoas, incluindo numerosos civis, segundo diversas organizações humanitárias. O conflito causou ainda 3,3 milhões de deslocados e uma das maiores crises humanitárias no mundo, de acordo com a ONU.

A par dos incidentes envolvendo petroleiros internacionais, incluindo sauditas, a tensão entre o Irão e os Estados Unidos voltou a aumentar na sequência do derrube de um ‘drone’ (aparelho aéreo não-tripulado) da Marinha norte-americana pelas forças iranianas na passada quinta-feira.

O caso do ‘drone’ levou Washington a preparar ataques aéreos retaliatórios, cancelados à última hora pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

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