Civis armados impedem entrada dos deputados da oposição no parlamento da Venezuela

15 Jan 2020 / 17:29 H.

Grupos de civis armados impediram hoje a entrada de deputados da oposição venezuelana na Assembleia Nacional (parlamento), onde o opositor e autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, tinha convocado para esta quarta-feira uma sessão plenária.

Segundo a agência espanhola EFE, os grupos de civis, encarados pela oposição e por grupos de direitos humanos como unidades paramilitares, atacaram com paus e pedras a camioneta que transportava a comitiva de deputados.

A equipa de comunicação de Juan Guaidó denunciou que alguns elementos dos grupos de civis chegaram a disparar contra a comitiva.

Os deputados faziam parte de uma comitiva da oposição venezuelana que se deslocou ao Palácio Legislativo, sede da Assembleia Nacional, para ver como estava a situação no terreno, antes da chegada dos restantes parlamentares.

Ao início da manhã, a sede do parlamento estava rodeada por elementos da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militarizada) e por unidades antimotim da Polícia Nacional Bolivariana, um cenário muito parecido ao que foi registado em 05 de janeiro, dia que ficou marcado pela eleição paralela de dois presidentes do parlamento venezuelano: o opositor Juan Guaidó e Luís Parra.

“Dispararam armas, há vídeos, aqui estão os vidros destruídos de uma camioneta blindada”, denunciou, em declarações à comunicação social, o deputado Carlos Prosperi, após ter fugido dos agressores.

“Denunciamos perante o mundo o cerco do parlamento”, acrescentou o deputado, assegurando que a oposição ia tentar realizar a sessão plenária convocada para hoje num recinto alternativo, uma vez que as forças opositoras vão continuar “a dar a cara pela Venezuela”.

A equipa de Guaidó anunciou, entretanto, que a sessão plenária convocada para hoje vai ter lugar em El Hatillo, um grande subúrbio de Caracas.

Ao mesmo tempo, no parlamento, mas numa sala diferente, irá decorrer uma sessão da Assembleia Nacional Constituinte, criada pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O segundo vice-presidente do parlamento, o também opositor Carlos Berrizbeitia, denunciou, por sua vez, que as forças de segurança venezuelanas foram cúmplices dos grupos de civis e pediu ao ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que explique os factos.

Segundo o opositor, os efetivos da Guarda Nacional Bolivariana, da Polícia Nacional Bolivariana e dos serviços militares de informações (DGCIM) testemunharam os ataques das unidades paramilitares sem intervir.

A Assembleia Nacional é o único órgão de poder que a oposição controla na Venezuela, mas as suas decisões não são acatadas pelo executivo de Maduro.

Em 05 de janeiro, o parlamento venezuelano tinha prevista a eleição da sua nova direção, votação da qual deveria resultar a reeleição de Guaidó, principal opositor de Maduro, como presidente da Assembleia Nacional.

Mas o deputado foi retido durante horas pela polícia e agredido à porta da Assembleia.

Ao mesmo tempo, no interior, em plenário, os deputados apoiantes do chefe de Estado venezuelano (Maduro) elegiam Luís Parra, que contou também com o apoio de uma minoria de parlamentares da oposição suspeitos de corrupção.

Nesse mesmo dia, e após ter sido impedido pelas forças de segurança de entrar no edifício da Assembleia Nacional, Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino venezuelano em janeiro de 2019 e que foi reconhecido por mais de 50 países, foi reeleito presidente do parlamento nas instalações do jornal El Nacional.

A Venezuela, país que conta com cerca de 32 milhões de habitantes e com uma significativa comunidade de portugueses e de lusodescendentes, enfrenta um clima de grande instabilidade política, situação que se soma a uma grave crise económica e social.