Cerca de 40% das transacções na Venezuela são feitas em dólares

19 Jun 2019 / 08:27 H.

Cerca de 40% das transacções que se fazem na Venezuela são pagas em dólares norte-americanos, um volume oito vezes superior ao registado em 2012, afirmou hoje o economista venezuelano Asdrúbal Oliveros.

“Em 2012 estimava-se que as transações em dólares não chegavam a 5%. Hoje estamos a falar de 40%”, disse o economista na iniciativa “Oportunidades para o Setor de Turismo e Perspetivas Económicas para 2019”, em Caracas, e que foi organizado pela Associação Venezuelana de Agências de Viagens e Turismo e pela Air Europa.

O economista referiu ainda que o volume das transações em dólares no país “continua a crescer”.

Desde 2003, a Venezuela tem um restrito controlo de câmbios que limita as transações em moeda estrangeira e que foi flexibilizado em maio passado com as “casas de câmbio”.

Em termos técnicos, Oliveros explicou que a “Venezuela vive aquilo a que se chama de ‘dólarização’ transnacional”.

Embora a utilização de dólares não esteja formalmente ou legalmente estabelecida no país, ela “é permitida pelas autoridades”, disse o economista.

Oliveros referiu também que a utilização de uma moeda estrangeira para transações é um fenómeno típico dos ciclos hiperinflacionários, caso da Venezuela, país que teve uma inflação de 1.698.488,2% em 2018, segundo a Assembleia Nacional (na qual a oposição tem a maioria), e de 130.060,2% de acordo com o Banco Central da Venezuela.

Com a hiperinflação, os agentes económicos (particulares e empresas) refugiam-se numa moeda forte que lhes permita “manter o valor” dos fundos que possuem e “facilitar as transações”, sem a crónica escassez de dinheiro que existe no país.

“Uma vez que os agentes económicos fazem parte dos seus pagamentos em moeda estrangeira, torna-se muito difícil voltar a usar apenas a moeda nacional”, sublinhou o economista.

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